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COMENTÁRIOS SOBRE ARTE

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ABRIL DE 2014

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A ARTE SE MODERNIZA

 

Começo o meu bate papo de hoje, indagando se a tecnologia é capaz de interferir na ARTE?!?!?

Tal pergunta me surgiu em razão de ter visto um instrumento moderno e de uma tecnologia inimaginável, que me deixou mais que perplexo... inteiramente atoleimado.

Fiquei titubeante ao ver uma impressora 3D em pleno funcionamento.

Eu já havia recebido uma propaganda, muito bem ilustrada, a respeito dela... descrevendo minuciosamente como esse tipo de impressora funciona.

Entretanto, como eu não tinha apreciado o trabalho que ela executa, jamais, eu poderia imaginar a magnitude do produto que ela consegue produzir e o efeito que ele é capaz de causar... É impressionante o que ela REALMENTE faz... Esse instrumento é capaz de transformar um fio de plástico, ou o pó de nylon ou não sei lá do que, em um objeto concreto tridimensional... basta apenas, que se tenha idealizado o produto e transformado em um programa de computação...  É realmente espantoso.

E, então, ao invés do malho, do buril e da pedra... agora, para se “esculpir”, basta um simples toque em um botão de uma impressora 3D... e se consegue  metamorfosear um pouquinho de pó de plástico ou metal ou de nylon, em uma obra completa... e com uma rapidez considerada.

Creio que os benefícios que esse instrumento poderá promover à Arquitetura, à Engenharia, à Medicina, às  Indústrias Automobilísticas, Mecânicas e a tantos outros campos de atuação, sejam incalculáveis... Sem contestação, os produtos manufaturados poderão ser testados previamente, antes de serem fabricados em grande escala e, então, inúmeros problemas poderão deixar de existir e incomensuráveis aplicações poderão ser comprovadas.

 Mas, e a Arte? 

Muito eficiente, contudo, uma porção de dúvidas nasceu com o meu embasbacamento... Sabendo que a “Impressão 3D, também conhecida como prototipagem rápida, é uma forma de tecnologia de fabricação aditiva onde um modelo tridimensional é criado por sucessivas camadas de material”, até que ponto, essa novidade tecnológica poderá acabar com a Arte... até onde, poderá desenvolver uma geração de copiadores de peças, ao invés de artistas... será que ela, realmente, poderá facilitar, ao artista, propiciando-lhe a constatação antecipada, da obra que deseja criar?... será que se pode chamar de Arte, o produto que ela produzir?

Avaliando bem, não há como dizer que a impressora tridimensional irá prejudicar ou beneficiar a Arte... a Arte sempre será Arte, independente de como é realizada... o Homem sim, esse é que irá desenvolver um trabalho... artístico ou não... E a sua alma de atista é que irá estabelecer se o que ele executou é Arte ou não é Arte.

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MARÇO DE 2014

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Dia 14 de março... Não poderia ter sido escolhida melhor data, para se comemorar o DIA DA POESIA... uma homenagem, mais que justa, ao grande poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves (nascido nesse dia, no ano de 1847)... que usou os seus versos, não só para cantar as belezas da vida, mas sobretudo, para condenar a ESCRAVIDÃO... daí ser ele, o "POETA DOS ESCRAVOS". 
Minha mãe ensinou-me, ainda bem pequeno, a valorizar a figura ilustre de Castro Alves e era, com intenso entusiasmo, que eu recitava a poesia...

" A cruz da estrada"

Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires uma cruz abandonada,
Deixa-a em paz, a dormir na solidão.

Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braços ao passar? 
Vais espantar o bando buliçoso
Das borboletas, que lá vão pausar.

É de um escravo, a humilde sepultura,
Foi-lhe a vida o velar de um sonho atroz.
Deixa-o dormir, no leito de verdura,
Que o Senhor, entre as relvas, lhe compôs.

Não precisa de ti, o gaturamo
Geme, por ele, à tarde, no sertão.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, soluçando, a solidão.

Entre os braços da cruz, a parasita,
Num abraço de flores se estendeu.
Chora orvalho, a grama, que palpita,
Lhe acende o vaga-lume, o facho seu.

Quando, à noite, o silêncio habita as matas,
A sepultura fala a sós com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros lá nos céus.

Caminheiro do escravo desgraçado,
O sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no seu leito de noivado,
Que há pouco a liberdade o desposou.

 

 
 
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JANEIRO DE 2014

 

HOJE, NÃO PRETENDO FAZER  QUALQUER COMENTÁRIO SOBRE ARTE... MAS PRECISO DEIXAR REGISTRADO QUE...

 

Há quase um ano, eu não comparecia ao meu antigo Site... sequer, para dar uma olhada...

Eis que de repente, me deu uma vontade danada de ver esse meu grande amigo... que me aconchegou em horas maravilhosas... que me escutou em  horas de desabafo... que me acalmou em horas de irritação.  Não cria que me fizesse tanta falta... e como faz...

Pensei, até, que já havia sido fechado...  e o "Arthev" se mantinha intacto... nobre e humilde, sereno e severo... como sempre.

Não contive as lembranças e me deixei levar pelo desejo de revê-lo... então,  comecei a passear pelos meus arquivos... constatei as reverências que  tinha dirigido a determinadas pessoas;  revi algumas das minhas obras e as razões delas terem surgido; reli as poesias que transcrevi... e revendo tudo o que tinha feito e tudo que havia publicado, um nozinho começou a apertar aqui na minha garganta...e esse sentimento que, geralmente,  só se sente por aqueles ou por aquilo que nos são muito caros, começou a crescer... e eu vi, como este documento me é caro... e instintivamente, me pus a ativá-lo.

 

A saudade é passageira...

Mas, queima como uma chama

 E dura uma vida inteira,

Se a saudade é de quem se ama.

 

A saudade é coisa à toa...

Mas, de lado não se posta,

Se a saudade é da pessoa,

Que, por certo, a gente gosta.

 

A saudade não tem jeito

E é bem capaz de matar...

Provoca uma dor no peito,

Difícil de suportar.

 
 
 

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  FEVEREIRO  - MARÇO 2013

 

A ARTE NO CARNAVAL

 

“Em fevereiro tem carnaval”... a música de Jorge Bem Jor é bem expressiva, uma vez que o autor tenha querido dizer que esta festa  – a mais popular do país – jamais deixará de existir, buscando gerar a sensação de felicidade total.

Em verdade, a essência do carnaval, creio eu, sempre esteve embasada na euforia da felicidade, daí promover as mais vibrantes sensações de alegria.

É óbvio que não vou historiar sobre a festa de Momo, sequer irei falar das suas origens, mas, acredito que, devido aos seus objetivos, desde os primórdios, a ARTE sempre esteve associada a sua realização.

Lembro-me que no meu tempo de criança -   o carnaval  bem diferente do que é hoje – mas, na minha visão infantil, eu já via a ARTE, em todos os acontecimentos momescos. É bem verdade que nunca estive presente no baile de gala do Municipal (assim denominado por ser o baile frequentado pelas autoridades e pela alta sociedade carioca) ou outros bailes à fantasia, porém, eu admirava as fotos das fantasias de luxo ganhadoras dos concursos, publicadas nos jornais da época, vendo-as como verdadeiras OBRAS DE ARTE.

Mas também, nos blocos populares, denominados de “sujo”-  agrupamentos de pessoas que se juntavam para  se divertirem sambando pelas ruas - eu conseguia observar a ARTE.

Quase sempre, esse montão de gente era conduzido por um único instrumento fazendo o “papel” de uma bateria inteira... e, com certeza, a euforia era a mesma experimentada  nos bailes da “Alta”, o que significa ARTE.

Os componentes desses bolcos, geralmente, não trajavam fantasias luxuosas, vestiam-se com trajos improvisados; contudo, cheios de criatividade, de surpresas, de ingenuidades, buscando caricaturar  as contingências do momento, criticar as atuações dos políticos, ou simplesmente, visando brincar...

Além das vestimentas, também usavam mascaras de diabos, de caveiras... todas feitas de papel machê (do francês “papier mâché”, papel picado, amassado e esmagado). Ainda levavam adereços feitos de papel crepom, cartazes e estandartes pintados pelo próprio folião...

Mas, a indumentária que eu mais gostava era a “burrinha” -

 

A burrinha representava pequeno muar esculturado, toscamente, num pequeno cesto de vime, que era cortado horizontalmente, de forma a ser "vestido" pelo folião que  prendia a fantasia artesanal por suspensórios de tecido...

... E naqueles improvisos, quer fossem bizarros, quer fossem pueris, uma verdadeira expressão da ARTE desabrochava.

Na “terça feira gorda”, como era denominado o último dia de carnaval, havia o desfiles da “Grandes Sociedades”... Aí, eu via as verdadeiras OBRAS de ARTE estruturadas nos enormes carros alegóricos... todos executados com papel e cola,pois ainda não havia sido criado o isopor .  Mas, a delicadeza e a beleza eram sempre a tônica daquelas criações.

 

Na época, as Escolas de Samba não se apresentavam como hoje, eram agremiações criadas nos bairros do Rio de Janeiro, pelos verdadeiros amantes do samba, que tinham como objetivo levar a comunidade para desfilar mostrando as suas composições e a dança de seus passistas. Porém, já havia a busca de se promover um VERDADEIRO BALÉ, no palco ao ar livre armado na Praça Onze, onde a disputa era acirrada.

Com o passar do tempo, os “Finianos”, os “Pierrot da Carvena”, os “Tenentes do Diabo”, os “Democráticos”,  que constituíam as Grandes Sociedade, esvaíram-se... mas as ARTES que apresentavam foram herdadas e expostas pelas Escolas de Samba que, mostrando nova estruturação, preocuparam-se em promover espetáculos majestosos com os seus desfiles.

Ainda que o lado comercial sobressaísse, fazendo com que o próprio governo criasse um lugar especial para as apresentações das Agremiações, a ARTE, continuou a ser destacada... na beleza das fantasias; na criatividade dos adereços; na opulência dos carros alegóricos; na poesia dos sambas enredos; e , sobretudo, na harmonia que as Agremiações demonstram.

 

 

 

 

 

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JANEIRO 2013

 

A PRETENSÃO

 

Novo ano, novas conjecturas...

Sem dúvida alguma, o ano novo sempre induz ao recomeço... à busca de uma nova performance no que será realizado...  

E, então, uma quantidade de novas ideias aparece como que elucubrando o novo início...

Dessa forma, o ano novo parece exigir uma espécie de “obrigatoriedade” de reajuste... de revitalização... de renovação... e o ser humano, envolvido em uma enorme esperança, em cada início de ano, se propõe a presumir uma nova expectativa de realizações...

E eu, como um fidedigno representante da espécie humana, ainda que já calejado pelo tempo e tendo passado por diversas vezes tal vislumbre, jamais posso olvidar de entrever o ano novo como um prenúncio às minhas novas proposições.

E aqui, começa a minha propensão, na área artística, para 2013...

 

Entre os muitos presentes que recebi da Esposa, dos Filhos, dos Netos e da Bisneta (“Noéis”), um pequeno maçarico - a gás de isqueiro – passou a ser o grande motivo a me incitar em nova aventura e por em prática uma das proposições conjeturadas para o ano que se inicia... fundir pequenas peças artísticas em alumínio.

                        

  

 

 

Na realidade, eu não entendo nada de fundição de alumínio, nem de outro metal qualquer... mas, como, nos meus tempos de criança, já havia experimentado fazer soldadinhos de chumbo, imaginei que se eu usasse o maçarico diretamente sobre o alumínio, poderia derretê-lo e obter o mesmo resultado que tivera com o chumbo... ainda mais que, no próprio invólucro do maçarico, traz estampado que o aparelho serve para derreter metais... logo, se o alumínio é um metal, posso me aventurar a fundir “lindas” peças.

 

Creio que basta, primeiro fazer um modelo em cera ou argila; depois, preparar o molde, em gesso; e em seguida derramar o metal liquefeito, para se transformar na peça final, com o seu endurecimento.

 

Maravilha... Intuitivamente, a minha primeira peça em alumínio, já está fundida.

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Entrementes, pensando melhor, parece-me mais conveniente não ousar em fazer o que não entendo... já não tenho mais idade para CERTAS AVENTURAS...ainda que possa ficar um tanto quanto frustrado, pois já havia imaginado as peças que iria fundir, não é mais época de empirismos. Além do mais, hoje, tudo é mais fácil de encontrar, até mesmo as condições propícias para a fundição de metais... Então, por que aventurar?

Lembrei-me de uma história que ouvira, quando estudante da EMBA, relatando que certos artistas da época zoavam de Leonardo da Vinci, porque ele modelara em argila um cavalo em tamanho natural, muito bonito, muito garboso... mas não era capaz de fundi-lo em bronze... Mesmo sem saber se tal situação é verdadeira ou não, sua lembrança é o suficiente para reduzir a minha frustração...  se pode ter acontecido com um dos maiores Mestres da História da Arte, por que não pode acontecer com um mero aprendiz?

Então, como caldo de galinha e cautela não fazem mal a ninguém, eu resolvi, antes de me atrever a fazer qualquer tentativa, primeiro pesquisar sobre a ARTE DA FUNDIÇÃO...

Daqui há pouco tempo, garanto-lhes que as PEÇAS de alumínio, estarão sendo exibidas nesta página.

Feliz Ano Novo

 

 

 

 

 

 

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  DEZEMBRO     2012

 

Perdoe-me caro Visitante se hoje deixo de fazer um "Comentário sobre ARTE", mas, como o Natal se encontra tão próximo e ano está terminando,  o período é propicio à reflexão...

Vamos, então, juntar o fim do ano ao Aniversário de Jesus  e  procurar, através da lição que recebi e que agora transcrevo, promover uma profunda reflexão...

 

      A Lição do Natal

            

O nascimento de Cristo,

Lá em casa, é festejado

Como sempre foi previsto...

Com Amor e muito agrado.

 

Repito todos os anos

Conhecido ritual,

Pra não cometer enganos,

Nem mudar o trivial.

 

Armo primeiro o pinheiro,

Coloco, então, cada enfeite...

No final, ponho o luzeiro

Para dar certo deleite.

 

E uma mesa bem repleta

De gostosas iguarias,

Com os presentes, completa

Uma festa de alegrias.

 

No entanto, neste Natal,

Ao fazer o de costume,

Senti fora do normal,

Como se fosse um queixume.

 

Quando me pus a montar

O pinheiro de Natal,

Não podia imaginar

Algo, assim, tão radical.

 

Ao invés de brilho, os adornos

Se mostravam ofuscados...

E as luzes, lá nos contornos,

Tinham seus fachos mirrados.

 

Ao observar cada ornato,

Nos galhos do pinheirinho,

Cada enfeite era um retrato

 Da miséria em desalinho.

 

Vi refletida a pobreza

Em todas lindas bolinhas...

Nas iguarias - na mesa -,

A fome de criancinhas.

 

Nos presentes, amargura...

Inclusive, nos brinquedos.

E tudo que era ternura,

Transformou-se em grandes medos.

 

Fiquei, de fato, perplexo

Ao mirar aquela imagem...

Mas, entendi no reflexo

O teor de tal mensagem.

 

De maneira bem concreta,

Quis Jesus, nesse artifício,

Mostrar a forma correta

De exaltar seu natalício.

 

Viva o Meu aniversário

 Amando teu semelhante...

Sê, com ele, solidário

Dividindo teu montante.”

 

Trate-o sempre com respeito

E toda dignidade...

Sê, também, justo e perfeito

Sem sentir qualquer vaidade.

 

Hever da Silva Nogueira

 

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  NOVEMBRO 2012

 

 

UMA ARTE GENUINAMENTE BRASILEIRA

 

Hoje, eu quero falar de um estilo de arte legitimamente brasileira... nascida e crescida nas entranhas do Brasil,  por ocasião da escravidão...

Tal Arte teve a sua origem na malemolência... na ginga... e cresceu calcada na coragem... 

Ela foi criada em busca da sobrevivência... e desenvolvida através da convicção da liberdade... 

Com certeza, surgiu da esperança de ser livre... e  fundamentando-se na fé, acabou por se transformar  em crença...em oração.

Estou falando da Arte criada pelos negros do grupo Bantos, que vieram de Angola, como escravos, para trabalharem na lavoura, no Brasil...

Estou me referindo à Arte nascida da paciência... desenvolvida na espreita... e aperfeiçoada na artimanha...

Foi gerada às escondidas... dentro dos roçados das matas, aos quais, os nativos brasileiros, em sua língua tupi, chamavam de  ka'apûer  (ka’a - mata)  (pûer - que foi).   

Estou buscando falar de um balé marcial... de uma Arte em que se sente  amalgamados à música e à dança, a agilidade e o sincronismo dos movimentos... de uma Arte criada para transformar os gestos e os movimentos dos artistas, ao mesmo tempo, em defesa perfeita e em ataques precisos. 

 

Estou falando da Arte denominada de CAPOEIRA

É a Arte do corpo e da alma... enquanto no malabarismo, se mostra audaz;  no âmago, traduz a suavidade sublime... e dessa associação da energia incomparável com a essência serena, brota a beleza da Arte.

Ainda que tenha sido criada como uma espécie de Defesa , contra as investidas dos Capitães do Mato, os movimentos - "divinamente" articulados - propiciaram, aos seus criadores, a geração de um estado de espírito, capaz de lhes aliviar os sacrifícios físicos e abrandar os males morais que a escravidão lhes causava.

Dessa forma, os Tapiúnas” (gente de pele escura, como diziam os índios) com a ginga de corpo e o bamboleio das passadas entremeados ao som do atabaque e ao tilintar do berimbau... criaram, na  Terra de Santa Cruz, a autêntica ARTE da CAPOEIRA.

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OUTUBRO 2012

 

               DIA 20 DE OUTUBRO

 

Costumo aproveitar o meado dos meses para promover a atualização do ARTHEV. Contudo, esse mês, deixei para promover tal providência, um pouco mais tarde.

Houve um proposito para que só hoje, 20 de outubro, fosse realizada a atualização...

20 de outubro é o Dia do Poeta... E não havia como deixar passar em branco, data tão significativa...

É importante não esquecer que essa Página se propõe a enaltecer a ARTE... E ser Poeta é vivificar a ARTE.

Muita gente já comentou sobre o SER POETA...

Creio eu que existam tantas descrições, que até seria impossível transcrevê-las...

No entanto, eu vou procurar particularizar o que SER POETA...

Poderia começar dizendo que SER POETA é transformar a VIDA EM SONHOS E SONHOS EM VIDA...

é CONFIGURAR EMOÇÕES EM IMAGENS E IMAGENS EM EMOÇÕES...

é FAZER DA ALMA, A FORMA  MAIS MARAVILHOSA DE LINGUAGEM...

é  EXPRESSAR SENTIMENTOS EM VERSOS...

é VERSIFICAR a VIDA...

é POETAR...

é como o mergulhar num oceano de emoções e se deixar levar pelas ondas do sentimentalismo... passar pelos corais da ilusão, e, encontrar o relicário da felicidade enterrado nas profundezas da sensibilidade...

é como cavalgar um corcel alado e varar,em sonhos, o infinito ... traspassar as nuvens do firmamento com os mais lindos devaneios, em busca de se deparar com um mundo de aventuras escondidos em cada estrela...em cada astro... em cada planeta...

Mas, pensando bem, por que fazer tantas conjecturas...  se eu posso, com a obra do poeta - a POESIA - dizer o que é:

 

SER POETA

 

Alguém falou-me indeciso:

O que fazer pra ser poeta?

Disse-lhe, que em meu juízo,

Ter a vida como meta.

 

Não entendendo a resposta.

Sorriu... Um tanto discreto...

Fez-me, então, uma proposta

Pra que eu fosse mais direto.

 

Falando-lhe em tom bem sério,

Sem, no entanto, criar mito,

Expliquei-lhe com critério

Tudo que lhe havia dito.

 

Pegue todos os momentos,

Que a vida, em si, oferece...

Extraia seus sentimentos

E os transforme numa prece.

 

Tome a própria natureza,

Envolta por seu mistério,

E exalte toda a beleza

Que se vê no planisfério.

 

Relate os cruéis conflitos

Espalhados pela terra,

Em que o homem, com vis atritos,

Busca a Paz, fazendo guerra.

 

Não esqueça da saudade –

Sentimento tão profundo –

Torna igual a humanidade,

Em qualquer parte do mundo.

 

Enreda-te em devaneios

Criados pelos amores...

Traduza nos entremeios,

Tuas venturas e dores.

 

Fale da mãe tão querida

Como exemplo de ternura...

E, por ter gerado a vida,

A mais doce criatura.

 

Eleva-te, em primazia,

Até Deus no firmamento...

E, assim,  faz da poesia,

Eterno agradecimento.

 

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COMENTÁRIOS SOBRE ARTE

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OUTUBRO 2012

 

 

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SETEMBRO 2012

MISTÉRIOS ESCULTURAIS

 

 

Hoje, irei abordar sobre alguns mistérios que cercam determinadas esculturas...  Muitas vezes, são capazes de encantar, devido aos enigmas que as envolvem.

Começarei abordando a Esfinge do Egito.

Não se sabe a data precisa de sua execução, estima-se que tenha sido em 2800 a.C, por determinação do Faraó Kefrén. Mede 70 metros de altura e está situada junto às pirâmides de Gizeh.

 

Sua configuração é muito interessante e repleta de simbolismo:

Apresenta uma cabeça humana num corpo de leão, com asas e outras características. 

Segundo alguns historiadores,  a cabeça representa a inteligência e o poder de adaptação àvida - constitui a prova da água; 

O corpo e garras, de leão, simbolizam a força, a nobreza e severidade - constitui a prova do fogo;

As patas, de boi, indicam a tenacidade e a continuidade - constitui a prova da terra; e,

As asas, de águia, busca demonstrar a resistência aos fracassos da vida, para  ressurgir renovada ( como a Phenix) - constitui a prova do ar.

O nome “esfinge” é derivado de sphingo, que em grego significava (decifra-me ou te devoro):que estrangularia  aqueles que não soubessem decifrar o seu enigma  - Que criatura, pela manhã tem quatro pés; ao meio-dia tem dois; e, à tarde, três?”.

 

- Outra Obra de Arte misteriosa e  maravilhosa é o Exército de terracota de Xian, criado na Dinastia Qin, em 206-220 a.C.. Todas as esculturas - guerreiros e animais - foram executadas em tamanho natural.

Sua descoberta, em 1974, se deu por acaso quando alguns agricultores escavam um poço.

As oito mil esculturas estavam enterradas junto ao mausoléu do primeiro imperador Qin Shihuang.

Certos pesquisadores dizem que as esculturas foram colocadas, naquele local, para proteger o imperador, os grandes tesouros e os objetos riquíssimos que, com ele, foram enterrados. Mas. é interessante mencionar que, entre essas relíquias existe uma réplica do mundo, em que os astros são feitos de pedras preciosas, os planetas de pérolas e os mares e lagos, de mercúrio.

Continuando a falar de mistério, vou falar dos "Moais".

Aquelas esculturas gigantescas , construídas com rochas vulcânicas na Ilha de Páscoa. Com suas dimensões exuberantes, que vão de três a dez metros de altura e pesando dezenas de toneladas, deixam qualquer pessoa embasbaca  a imaginar como e por quem devem ter sido elaboradas. 

Na realidade, ninguém sabe, ao certo, como e por quem foram esculpidas.

Alguns historiadores dizem que  os Moais teriam sido erguidos pelos “Rapa Nui” (que quer dizer Ilha Grande) primeiros habitantes do lugar, buscando homenagear os seus líderes, já falecidos. Por isso,  todos se encontram de frente para as aldeias. Ouve-se, também, dizer que  se encontram de costas para o mar por  significar que os Moais devam permanecer olhando para a sua tribo. Contudo, existem sete Moais (Ahu e Kivi), que estão fixos de frente para o mar... Por qual motivo? Completamente desconhecido.

Sem dúvida, as suas existências constituem um verdadeiro mistério.

Parece-me interessante mencionar que recentemente foram feitas novas escavações por um grupo de pesquisadores arqueológicos, e nessas investigações foi constatado que as estátuas, embora estivessem enterradas no solo, sem mostrar como são na parte de baixo, elas têm  o restante de seus corpos, esculturalmente, muito bem detalhados. Quiça até mais bem elaborados que a parte de cima e a cabeça, demonstrando que quem as esculpiu tinha a intensão de fazê-las completas.  Assim, tais descobertas mostram que as esculturas foram feitas para serem expostas com suas características totais..

Reparem na fotografia... até o umbigo é elaborado com perfeição..

 

Tal descoberta, torna o mistério ainda mais enigmático...

Se foram esculpidas integralmente, por que então estavam enterradas até a cintura?

Será que foram enterradas, de propósito, ou algum acontecimento geofísico provocou a condição que se apresentam?

 

Os mistérios esculturais obrigam-me agora a comentar sobre a Vênus de Millo.

Por ter sido encontrada na ilha de Milo (também conhecida por Milos ou Melos), no Mar Egeu, na época,  parte do Império Otomano, recebeu o nome de Vênus de Milo, embora tenha sido chamada também de Vênus Vitória, 

A escultura grega, de aproximadamente dois metros e pouco de altura, é composta por duas partes, unidas por grampos de ferro, e foi achada, em 8 de abril de 1820. pelo camponês Yorgos Kentrotas, quando escavava a terra em busca de pedras para construir um muro. Yorgos encontrou primeiro a parte de cima, depois a parte inferior, mas as partes não se encaixavam uma na outra. Após  escavar com mais cuidado, ele encontrou uma peça central, possibilitando que a escultura se completasse.

Uma vez alertado sobre o achado, Louis Brest, vice-cônsul da França em Milo, ordenou que as escavações prosseguissem, sendo encontrados então alguns outros fragmentos, entre  quais uma mão segurando uma maçã, três blocos com inscrições e dois pilares de hermas.

O camponês grego, amedrontado e pensando que poderia perder o que achara, escondeu a parte superior em um estábulo, deixando a outra parte em seu nicho.

É interessante dizer que muitas celeumas sobre a existência dos braços e outros pormenores a respeito da obra, foram criadas, todavia, alguns relatos de especialistas afirmam que a estátua “segurava uma maçã em sua mão esquerda elevada, enquanto que a mão direita segura suas vestes cuidadosamente drapejadas, que caem das ancas até os pés”.

Quanto aos braços, muitos entendidos em arte grega disseram que “haviam sido danificados e, na verdade, estavam destacados do corpo”.

A autoria  era outra dúvida existente, gerando mais conflitos, ainda que em um bloco de mármore, encontrado na ocasião em que a escultura fora achada, existisse a inscrição: Alexandros (ou Agesandros). filho de Mênides, de Antióquia no Meandro, parecendo comprovar a autoria da obraAlém do mais, é levado em consideração o estilo dos caracteres usados na inscrição, para estimar que a escultura fora esculpida em 150-50 a.C. Mas mesmo assim, muitos não aceitam que sejam verdadeiras comprovações..

Porém, depois de muitas polêmicas pela sua guarda, a escultura acabou ficando com a França, e hoje encontra-se em exposição no Museu do Louvre.

 

Creio ser interessante relatar que o escritor irlandês Oscar Wilde tenha contado uma história sobre um homem que encomendou uma cópia da Vênus de Milo... Como recebeu a  cópia sem os braços, processou a Companhia da Estrada de Ferro, que fez o carreto até Paris.  Contudo, o mais surpreendente, nessa história, é que o dito homem ganhou a causa.

Para terminar os comentários de hoje, quero concluir falando das Máscaras Africanas.

Essas Obras de Arte, além de identificarem os usos e costumes das tribos africanas, demonstrando os seus valores étnicos e morais, também apresentam um significado mítico, como uma espécie de disfarce para as incorporações espirituais e para a aquisição de forças extraterrenas.

Muitas são confeccionadas em barro, embora outras sejam esculturadas em marfim, ouro e outros materiais maleáveis. Porém,  o material mais usado, é a madeira, considerando ser o produto mais sagrado para a sua confecção.

Certas máscaras são feitas, no interior da selva, em segredo, em razão de servirem de ligação com as entidades espirituais e promoverem a purificação de seus usuários.

 

Assim como a “Persona” usada – no teatro Romano– para proteger a individualidade, a Máscara Africana representa uma proteção a quem a utiliza, impedindo o reconhecimento pessoal. 

Contudo, também, é confeccionada  para captar a força vital que escapa de um ser humano ou de um animal, no momento de sua morte. Acreditam certas tribos Africanas que a energia captada pela máscara,será.  posteriormente,   controlada e redistribuída em benefício da tribo.

 

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AGOSTO 2012

 

Pensei em reeditar algum dos comentários que coloquei no site, devido à falta de tempo para elaborar um artigo novo. 

No entanto, resolvi não proceder dessa forma, primordialmente em razão do respeito que tenho por  sua visita. Parece-me inábil transcrever algo que já tenha sido publicado anteriormente... Perdoem-me, mas  a preparação da X Mostra de Pinturas e as atividades do Laçamento do Livro "Herança", foram tão desgastantes que me impediram de escrever algo que realmente refletisse a grandeza da Arte.

Nos próximos dias, aqui estará colocado um  Comentário, digno de sua atenção. Obrigado.

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JULHO 2012

 

 ESTILO

 

A palavra ESTILO tem sua origem no latim clássico – Stilus -, significando um instrumento metálico e pontiagudo utilizado nas escritas e desenhos.

Com o passar do tempo, a palavra passou a exprimir a forma de como se fazia as coisas, inclusive, a arte. E,por isso, a História da Arte passou a utilizá-la como um conceito para indicar as características que definem e identificam as obras de arte criadas em determinados períodos da vida humana.

É bem verdade que os períodos de vida, vividos pelo homem, constituíram a condição mais incisiva para que a palavra Estilo fosse usada como um conceito de identificação das Obras de Arte... Estilo Rupestre, Estilo Medieval, Estilo Pós-Moderno.

Todavia, o local onde as artes eram efetuadas, também, lograram certa influência, fazendo com que Estilo fosse usado para caracterizar a Arte de determinada região, de certo país, ou de um condado.... E, dessa maneira, apresentava o Estilo Grego, o Estilo Francês, o Estilo Alemão. 

Entretanto, não pararam por aí, os motivos arranjados para a interpretação de Estilo. Também, a identidade do próprio autor serviu de referência para identificar as obras que apresentavam, referenciando sua característica de pintar, de escrever, de esculpir, de executar um instrumento musical. Assim sendo, encontra-se na literatura, o Estilo Goethe; na pintura, o Estilo Ruben; na escultura, o Estilo Michelangelo; na música, o Estilo Mozart.. 

Na realidade, sempre foram uti"arranjaram" razões para identificar os Estilos das Artes, promovendo condições de identificação para estabelecer ESTILOS... quer tenha sido a época, em que foram criadas as Obras; quer tenham sido as características que apresentavam; quer tenha sido o próprio autor, que as criou; quer tenham sido os seguimentos artísticos que geraram.

Não importam as denominações que lhes sejam atribuídas, em verdade, os ESTILOS buscam sempre caracterizar as reais propriedades das Artes... contudo, não é lá muito incomum mostrarem, também, outros significados, mesmo que não lhes pareçam ser condizentes.

 

O termo Primitivo, é comumente usado para classificar o ESTILO de trabalho artístico não acadêmico, que se caracteriza por uma certa simplicidade no uso da perspectiva e outras particularidades, frequentemente utilizada por  artistas autodidatas, com pouco ou nenhum conhecimento técnico ou teórico.

 

 

Entretanto, no início do século XX, foi empregado para definir certas tendências ou características dentro da arte de vanguarda ou das literaturas modernistas.

Foi também usado, para identificar as obras dos pintores holandeses dos séculos XV e XVI. Chamados de Primitivos Flamengos, por reagirem negativamente à influência da pintura italiana renascentista ou pré renascentista, voltando-se para técnicas medievais da tradição local.

E ainda, se referiu aos pintores pré-renascentistas e suas obras, produzidas na Itália do século XV, conhecidos como os Primitivos Italianos, por não terem descoberto todas as possibilidades pictóricas tomadas como avanços promovidos pelo Renascimento na pintura.

Já o Estilo Clássico, que nasceu e predominou na Grécia Antiga, entre os séculos VI e IV a.C., foi criado em razão de novos interesses no campo político-social.

Os pensamentos filosóficos e sofistas e a preocupação em compreender a relação entre o homem e os deuses levaram os artistas e artesões a abandonar o estilo arcaico – caracterizado por imagens geometrizadas e pouco naturais -,   procurando promover uma mudança nas representações (pinturas, desenhos e esculturas) dos deuses (que eram encomendadas). Passaram a elaborá-las com formas mais estéticas e naturais, embasadas em cânones. Buscavam como modelos, a beleza física das pessoas mais belas, fazendo delas, a forma perfeita para caracterizar os deuses..

Na realidade, o estilo Clássico significava perfeição. Não se  fazia, na época,  diferença entre artistas e artesões, tanto a Técnica (teknê – grego) como a Arte (ars- latim) buscavam aprimorar o talento e a habilidade, através do conhecimento técnico e, sobretudo, a execução do trabalho, fazendo com que o artista e o artesão atingissem a uma perfeição e a um ESTILO.

 

O Estilo Gótico surgiu na Idade Média, durante o Renascimento – época da “Descoberta do mundo e do homem” , conforme citou Jacob Burckhardt..

Inicialmente, apareceu na França, em meados do século XII. Buscava promover uma comunhão entre a arquitetura e a religião.

Fez-se presente, principalmente, na arquitetura, com a construção  de catedrais  suntuosas,  confrontando-as com as românticas capelas que, até então, eram edificadas.

Chegou a ser conhecido como Estilo Francês - “ars français” (arte francesa), mas, no século XVI expandiu-se para a Itália e demais parte da Europa.

O Estilo Gótico cresceu sob a fascinação de suas características, embora Georgi Vasari (tido como o fundador da história da arte) o tivesse criticado, dizendo que: “a arte da Idade Média, especialmente no campo da arquitetura, é o oposto da perfeição, é o obscuro e o negativo”. E relacionou o Estilo com os Godos - povo que semeou a destruição na Roma Antiga em 410.  

Dessa maneira, o termo Gótico passou a ter um sentido pejorativo, para “designar um ESTILO somente digno de bárbaros e vândalos”, embora nada tivesse a ver com os antigos povos germânicos (visigodos e ostrogodos)”.

Porém, alguns séculos mais tarde, nas primeiras décadas do século XIX, durante o romantismo, o Estilo Gótico volta a ser valorizado.

Na Alemanha, a imponência das grandes catedrais góticas fascina Goethe, que exprime literariamente suas emoções, em razão da grandeza das construções gigantescas. O que leva ao Estilo Gótico a “constituir uma nova filosofia, embasada numa harmonia de proporção inovadoras resultado de relações matemáticas, de ordens claras impregnadas de simbolismo”.

 

No final do século XVI, aparece o Estilo Barroco, que também se caracterizava pela exuberância, sobretudo, pelo esplendor. Teve como berço a Itália e se desenvolveu através das Artes Religiosas Católicas, embora, posteriormente tenha se difundido pelo Oriente e localidades protestantes, com certas modificações, atingindo inclusive as Américas.

Os Artistas Barrocos se caracterizavam por dar maior relevância à dramaticidade em suas obras, quase sempre excedendo na exuberância do realismo.

 

 

Alguns historiadores dizem que o termo BARROCO tem procedência numa palavra portuguesa que significa “Pérola Imperfeita”, no entanto, outros preferem alegar que é originado de uma forma mnemônica usada pelos escolásticos, para designar um dos modos do silogismo, dando ao termo um “sentido pejorativo de raciocínio que embaralha o falso com o verdadeiro”.

O mais interessante é que o significado da palavra se espalhou pela Itália e pela França, gerando certo preconceito quanto ao Estilo. Contudo, tal condição só foi empregada por determinados críticos de artes plásticas que viam no Estilo Barroco excessos e outras irregularidades em relação ao Estilo Clássico.

No Brasil as Obras do mestre “Aleijadinho” – Antônio Francisco Lisboa – são exemplos categóricos do Estilo Barroco.

 

 

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MAIO 2012

 

A ARTE INDÍGENA BRASILEIRA

 

Quando Cabral, no ano de 1500 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, tomando posse da nova terra, fincou em solo brasileiro o marco de descobertas portuguesas, quiçá teria imaginado que o povo -  que aqui habitava - possuía uma cultura própria, cujos costumes, línguas e modos  o caracterizavam e o diferenciavam de todos os outros povos.

Tal cultura também envolvia uma ARTE, totalmente particular, que iria oferecer inúmeras contribuições para o desenvolvimento artístico do país que começara a surgir.

A ARTE INDÍGENA, muito ligada à mãe natureza, não poderia deixar de ter como fontes principais o céu, o sol, a lua, os rios, os fenômenos climáticos, os animais e a infindável floresta, e, sua maior manifestação era vista nos cânticos e danças, nas vestimentas e nos utensílios. Todavia, a pintura corporal, a perfuração e a escarificação da pele eram outras maneiras autênticas que os nativos, também, usavam para demonstrar suas habilidades artísticas.

 

Os cânticos e danças serviam para que o povo indígena contasse a origem do mundo, a sua própria origem, relembrasse seus antepassados, além de relatar certos acontecimentos que acabariam se transformando em lendas e mitos maravilhosos.

 

O vestuário, geralmente feito com plumagens, tinha mais o sentido de enfeitar que realmente propiciar um fim utilitário ao seu usuário. Dessa forma, o índio elaborava tangas, mantos e cocares como produtos de elegância. Contudo, o mais interessante é que, as penas não eram  colocadas nos cocares de maneira aleatória... as suas cores indicavam a posição do portador dentro do grupo e simbolizavam a ordenação da vida na aldeia.

Da mesma maneira, o formato que os cocares apresentavam, também expressavam um significado...a disposição em arco, por exemplo, remetia à ligação entre o presente e o passado.

Os utensílios, ainda que fossem feitos e tivessem utilidade prática, não deixavam de demonstrar um trabalho artístico, pois, geralmente, eram ornados com desenhos ou formatos que mostravam a habilidade de quem os executava.

Como a selva brasileira oferecia uma enormidade de plantas apropriadas ao trançado,  o índio tinha à vontade, a quantidade de matéria prima, que quisesse para criar uma grande variedade de utensílios para o uso doméstico.

Assim sendo, fazia cestos para conduzir alimentos, peneiras para separar os grãos, redes para caça e pesca, abanos para avivar o fogo e amenizar o calor, tangas, pulseiras e outros objetos que também eram usados como adorno. Com o mesmo material, ainda eram feitas as redes onde dormia e, até mesmo, alguns instrumentos musicais.

Mas, algumas tribos, também, eram exímias produtoras de utensílios de cerâmica.

Uma massa de argila servia de base para a produção de vasos, que eram empregados no uso doméstico. Outrossim, produziam vasos para os cerimoniais e para funerais (Camuti). Contudo, todos, quaisquer que fossem a serventia, sempre apresentavam uma decoração elaborada... É bem verdade que os destinados às cerimônias  reliosas e funestas recebiam  uma pintura policromática.

As cerâmicas, comumente apresentavam pinturas, desenhos e ornamentos em relevo com figuras de seres humanos ou animai, porém, as marajoaras exibiam figuras geométricas em perfeita simetria..

As Cariátides - cerâmicas reproduzindo figuras humanas ou animais apoiando o vaso - constituíam uma característica da cerâmica de Santarém..

 

Certas tribos elaboravam estatuetas reproduzindo as formas humanas, porém, de maneira estilizada, uma vez  que tinham a intenção de não representar fielmente a realidade. No entanto outras, como as Santarenas, criavam suas estatuetas apresentando maior realismo, promovendo uma fiel cópia dos seres humanos ou animais.

Outros utensílios eram preparados com madeiras. Os bancos e mesas, geralmente, apresentavam formas de animais, ainda que alguns exibissem desenhos simétricos e bem delineados.

A Pintura do Corpo era outra forma dos índios expressarem os seus sentimentos... primordialmente, quando era feita particularmente visando a guerra, servia como uma espécie de ornamentação beligerante. Todavia, também poderiam demonstrar condições emocionais, como quando executadas com o objetivo de alcançar a felicidade no casamento, para servir de paramento a certos rituais religiosos e, sobretudo,  como defesa dos maus espíritos.

É interessante dizer que tal pintura, também tinha a sua utilidade prática, pois muitas vezes era feita para defender o corpo das queimaduras solares e como proteção às picadas dos insetos. Porém, quase sempre era efetuada como enfeite pessoal e uma forma para se tornar mais bonito.

Não posso deixar de lembrar que, a Pintura Corporal, sempre aparentava uma verdadeira obra artística e, de modo geral, era executada pelas mulheres da tribo.

As cores mais utilizadas na pintura corporal eram a vermelha (extraída do urucum),  a negra esverdeada (conseguida com tintura do suco de jenipapo) e a amarela (com a infusão de raízes e flores). O emprego das cores era ser associado ao sentimento que o nativo queria expressar. Assim, a  raiva, era representada com a cor preta; a força e a coragem,  com a cor vermelha; e, a lisonja ou caracterização feminina, a cor amarela.

Além, disso a Pintura Corporal também tinha o objetivo de identificar a tribo e a família que os nativos pertenciam. Acreditavam os indígenas, que a qualidade da pintura influenciaria na sorte em caçadas, nas vitórias nas guerras, na felicidade nas bodas e nas proteções em viagens. Para as festas e para as lutas, a pintura corporal deveria ser realizada com mais  requinte e qualidade... daí, o aspecto artístico.

Relatam alguns autores que os nativos do grupo Kadiwéu apresentavam uma pintura corporal mais bem elaborada, com desenhos geométricos complexos e que revelavam equilíbrio e beleza.

A escarificação e perfuração da pele eram as maiores demonstrações de vigor masculino, o que levava a certas tribos usarem os mais dolorosos apetrechos nas orelhas e nos lábios, para provarem a masculinidade de seus integrantes. Tais adornos, em princípio,  nada tinham de artísticos, porém transformaram-se em legado muito peculiar às bijuterias usadas por homens e mulheres, principalmente os brincos.

Alguns grupos indígenas faziam máscaras, de troncos de madeiras, de fibras e palhas, de cabaças, e as usavam para configurar ou representar um ser sobrenatural, nos ritos religiosos. Jamais as máscaras foram usadas como adornos, contudo, os seus usos dão a ideia de uma habilidade teatral.

Não posso deixar de crer que a Arte Indígena, ainda que tenha sido uma verdadeira mistura de confecções utilitárias, simbolizações, adornos e paramentos religiosos, tenha o valor inestimável da arte, em suas essências.

 

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ABRIL 2012

 

OS PRESENTES DE ANIVERSÀRIO

 

 

13 de abril... é o dia do meu aniversário... mas, como de costume, às cinco horas da manhã já estava de pé – acordar cedo é coisa de velho – contudo, enquanto aguardava o dia clarear, sentei-me diante do nb e me pus a rascunhar o comentário, que iria postar no site.

Interessante que tão logo comecei a escrever, veio-me de imediato à memória ter colocado no primeiro artigo - escrito sobre ARTE para esta página - que bem facilmente podia conceber a Arte como a Minha Família. É bem verdade que justificara a minha afirmativa com o relato de que desde pequeno eu tivera contato com a Arte através de minha Mãe, de meu Pai e de meus irmãos.

Ainda que não tivesse a intenção de associar, mais uma vez, o meu passado com a Arte, sem querer, as recordações me envolveram de tal forma que eu me vi sentado à mesa da antiga sala de jantar, bem à frente de minha mãe... ela escrevia num bloco de rascunho... igualzinho ao que ela fazia para mim, com os papeis acinzentados que embrulhavam os pães.

E eu, embora estivesse completando os setenta e cinco anos de vida, sem conseguir resistir à curiosidade, própria de uma criança,  indaguei o que estava escrevendo. Com a Arte da Maternidade traduzida num sorriso carinhoso e ameno - que só a Mãe é capaz de oferecer aos filhos - ela me respondeu: Estou reescrevendo, a minha primeira poesia... eu a escrevi quando tinha a idade de oito anos... quer que eu a leia para você?

Como não ouvi-la?... como não aprender com ela?...e ela declamou:

 

Pensar que fui tão feliz

No início do meu viver,

E que hoje a sorte só me diz:

Teu futuro é só sofrer.

 

Nunca me foi dado crer...

Mas, hoje, meu destino é penar...

 

Sem tréguas e sem amor,

Para enganar minha dor,

Neste triste dissabor,

Me rio para não chorar.

 

Tudo me pareceu tão real, que eu não sabia se efetivamente havia ouvido a voz graciosa de mamãe, ou fora apenas a imaginação que me promovera um lindo presente pela data especial.

 

Sorri e, para constatar se realmente estava acordado, levantei-me e fui até a sala de estar do meu apartamento...ainda estava escuro, mas as luzes da avenida Dante Michelini permaneciam acesas e, por entre as portas envidraçadas da varanda, iluminavam parte daquele cômodo.

 

Eu tenho certeza de que estava acordado, entretanto, qual não foi a minha surpresa, ao ver que a luminosidade das lâmpadas clareava os três quadros, pintados por papai, que alí se encontram ornamentando o canto do recinto.

Olhei para as obras... e as admirei... senti as suaves pinceladas mostrando a grandeza do artista... Lembrei-me que as pinturas haviam sido feitas sobre tampas de caixas de charuto, preparadas com carinho para servirem de telas àquelas maravilhas... e eu sequer havia nascido... e agora, alí estavam para embelezar o meu ambiente.

ILHA DA BOA VIAGEM – Niterói –RJ

 

PAISAGEM DO RIO

 

 

PEDRA DA GÁVEA

 

... E as recordações continuaram a invadir os meus pensamentos...

Não pude deixar de sentir a mão firme de papai segurando a minha, para orientar-me de como os traços retos deveriam ser executados.

... E então, pensei: mais um presente.

 

 

 

 

 

 

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Março  2012

 

 

Este mês, o “ARTHEV” completa um ano de existência.

Não há como deixar de dizer que é uma ocasião bastante significativa, principalmente porque durante esses doze meses, consegui manter o site fiel à origem que lhe dei. Por um ano inteiro, não me distanciei da ideia inicial de mostrar as minhas realizações artísticas, contando os motivos que lhes deram origem.

Ainda que ao fazer os relatos, não foram poucos os devaneios que se  formavam e, por vezes, as contingências vivenciadas empurravam-me a viver novos sonhos mirabolantes...  também, fui constante e leal à concentração de apresentar comentários sobre a ARTE.

Recebi muitos elogios dos amigos e parentes, estimulando-me a dar continuidade à “página”... uma verdadeira “obra de arte”, se for levado em consideração que sou um completo analfabeto em informática, sabendo no máximo clicar o "contral B" e o "contral C".

Bem que me dá vontade de continuar falando desse aniversário...

Todavia, o assunto que tenho para tratar, hoje, na Seção “Comentários sobre Arte”, é bem mais interessante...  Neste mês, mais precisamente no dia 8, é comemorado o DIA DA MULHER e, com certeza, nada mais propício para se falar de ARTE do que usar a mulher, como tema... afinal de contas, não há como negar que a Mulher é ARTE PRIMOROSA de Deus... ela é a OBRA PRIMA Divina.

Não importa que  o homem, com sua petulância machista, tenha impedido a mulher de mostrar a sua aptidão artística. Com a sutileza, que lhe é própria, o Sexo Frágil tornou-se GIGANTE nas ARTES... em todas as ARTES.

Não tenho como enaltecer aqui, todas as mulheres que se destacam atualmente nas artes, o espaço físico é diminuto... Todavia, não posso deixar de lhes prestar a mais prestimosa homenagem, no seu DIA. Então, vasculhei nos meus alfarrábios e encobtrei uma relação preciosa contendo algumas baluartes, que mesmo estando, no céu, junto ao Grande Arquiteto do Universo, continuam representando a ARTISTA BRASILEIRA, e sempre irão lembrar a grandeza feminina nas ARTES.  

 

Na ARTE CÊNICA, ampliaram o brilho das ribaltas:

 

Gilda de Abreu - nasceu em 23 de setembro de 1904 em Paris, França. Chegou ao Brasil com 4 anos, quando foi batizada. Estudou no Conservatório Nacional de Música, canto lírico e de operetas. Casou-se com Vicente Celestino, seu parceiro no cinema e nas letras de músicas. Foi a primeira cineasta a fazer sucesso e carreira no cinema brasileiro.

Dulcina de Morais - nascida em 1908, no Rio de Janeiro, foi reconhecida como a atriz mais importante da Companhia Leopoldo Fróes. Em 1934, fundou com seu marido, Odilon Azevedo, a companhia Dulcina-Odilon.

Alda Garrido - comediante que encantou o Brasil em 1923, com a peça "A Entrevista", no antigo Teatro Brasil, em São Paulo.

Cordélia Ferreira - iniciou no teatro aos 8 anos de idade. Foi a primeira rádioatriz, 1936, na rádio Cruzeiro do Sul e mais tarde, na Rádio Mayrink Veiga.

Cacilda Becker - estreou em 1940, vivendo a personagem Gertrude na peça Hamlet, de Shakespeare. Foi quem ressuscitou o Teatro Brasileiro de Comédia, talvez por isso, seu nome passou a ser sinônimo de teatro.

Denise Stoklos - nascida em Irati, Paraná, iniciou como autora, diretora e atriz em 1968, cujo trabalho rendeu-lhe aplausos  por todo o mundo. Foi a primeira atriz brasileira a se apresentar em Moscou, em Pequim, em Taipei, na Ucrânia e em diversos outros países.

Dercy Gonçalves - Dolores Costa Bastos, saiu da pequena cidade de Santa Maria Madalena - RJ em 1929, com 17 anos entrou para um circo armado na Praça Afonso Pena, tendo formado a dupla Os Pascolinos, com Eugênio Pascoal. Depois foi vedete no teatro de revista. Permaneceu no teatro e na TV, como comediante, até quase a sua morte. Caracterizava-se pela irreverência.

Laura Alvim – nasceu  em 1900. Devido à oposição da família, não seguiu a carreira artística, o que a levou a apresentar recitais em sua própria casa, para amigos e pessoas próximas. Doou seu casarão da Av. Vieira Souto, na praia de Ipanema, para o estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de transformá-lo em um centro cultural.

Maria Clara Machado - Recebeu em 1950, uma bolsa do governo britânico para estudar teatro em Paris. Fundou o Teatro Tablado. É a maior mestre em peças infantis, que traduzidas para cerca de 10 idiomas, foram encenados em diversos países.

 

Na ARTE PLÁSTICA, criaram inovações e marcaram épocas:

 

Abigail Andrade - Nasceu em 1864 no Rio de JaneiroViveu no Império lutando por ter  reconhecido o seu talento nas artes plásticas, expôs obras no Salão de Belas-Artes em 1884 e 1888. Pintora exímia de natureza-morta e flores, recebeu elogios da crítica da época.

Adriana Janacopoulos – na sua sua juventude, morou em Paris, onde fez contato com as artes plásticas. De regresso ao Brasil, expôs no Palace Hotel.  Participou da primeira Bienal de São Paulo, em 1951, com uma escultura de cimento com o título Retrato de Madame A. Fez, em granito Moça Brasileira e  o monumento ao estudante morto na Revolução Constitucionalista de 1932.

 Lígia Clark – nasceu no dia 23 de setembro de 1920 em  Belo Horizonte, MG, e  estudou arte no Rio de Janeiro em 1947, com Roberto Burle Marx. Realizou várias exposições individuais no Rio de Janeiro, São Paulo, Nova Yorque, Londres, Alemanha, entre outros países..

 Lina Bo Bardi – nasceu em Roma, Itália, onde se formou em Arquitetura. Casou-se em 1956 com Pietro Maria Bardi, vindo para o Brasil. Em 1961 naturalizou-se brasileira. Foi uma das responsáveis pela criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MASP -, cujo projeto é de sua autoria. Lina valorizou a arte popular e levou o artesanato aos museus.

 Nair de Teffé - Caricaturista, foi primeira dama do país. Nasceu no Rio de Janeiro em 10 de junho de 1886. Aos 9 anos foi estudar num internato de freiras na França, onde começou a fazer as primeiras caricaturas. Fazia charges de pessoas da alta sociedade, damas, cavalheiros, políticos, diplomatas, nobres e artistas, assinando-as com o nome de Rian, anagrama do seu prenome.

Tarsila do Amaral – Nasceu em Capivari, no dia 1 de setembro de 1886, foi uma das figuras centrais da pintura brasileira, fazendo parte da primeira fase do movimento modernista brasileiro. Inaugurou com o quadro “Abaporu”, em 1928, o movimento antropofágico nas artes plásticas.

Anita Malfati - Nasceu em 2 de dezembro de 1889, com má-formação na mão e no braço direito. Então buscou o domínio da mão esquerda. Iniciou seus estudos de pintura com a mãe, Em 1917, realizou a memorável Exposição de Pintura Moderna. Junto com Tarsila do Amaral, fez parte da primeira fase do movimento modernista brasileiro.

 Tomie Ohtake - nascida em 1913, Kioto, Japão, veio pra o Brasil em 1936, naturalizando-se brasileira e fixando residência em São Paulo. Começou a pintar em 1952, e dez anos depois já recebia a medalha de ouro por sua participação no Salão Paulista de Arte Moderna. Expôs pinturas em Washington e Nova Yorque e quatro anos depois em Porto Rico. Em 1983, foi publicado pelo MASP, o livro Tomie Ohtake com 150 de suas obras.

 

Na LITERATURA, iluminaram o caminho do saber:

 

Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira -  Nasceu em 29 de outubro de 1905, no Rio de Janeiro, onde iniciou a carreira literária publicando seu primeiro trabalho na Revista Acadêmica e logo depois, o livro Poemas. O maior sucesso foi o romance A Imaginária, publicado em 1959. Viveu os anos após a cassação política em grande depressão e faleceu em um abrigo para idosos.

Cecília Meireles - nasceu em 1901, no Rio de janeiro, teve seu primeiro livro publicado em 1919,  “Espectros”, de tendência parnasiana.

 Cora Coralina - Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas nasceu em Goiás Velho, Goiás, em 20 de agosto de 1889. Bem jovem, aos 14 anos, começou a escrever "escritinhos", como ela chamava os poemas. Foi homenageada no Festival Nacional de Mulheres nas Artes e recebeu o título de doutora honoris causa concedido pela Universidade Federal de Goiás. Em 1983, recebeu da União Brasileira dos Escritores o título de intelectual do ano e o troféu Juca Pato, tendo sido a primeira mulher a ser agraciada com eles. Faleceu em Goiânia em 10 de abril de 1985.

 Hilda Hilst - em 21 de abril de 1930, nasceu em Jaú - São Paulo. Lançou Presságio em 1950 e em 51, Balada de Alzira, Foi agraciada com o Prêmio Pen Club de São Paulo pelo livro Sete Cantos do Poeta para o Anjo, em 1962.

Dionísia Gonçalves Pinto – conhecida como Nísia Floresta Brasileira Augusta - nasceu em 12 de outubro de 1810. Em 1832, publicou o seu primeiro livro “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”, uma tradução livre do Vindication of the rights of woman, de Mary Wollstonecraft.

Rachel de Queiroz – nasceu em Fortaleza - CE no dia 17 de novembro de 1910. Aprendeu a ler com o pai.. Escreveu “O Quinze”, que a transformou numa personalidade da literatura; “João Miguel”, proibido pela polícia política; “Caminho de Pedras”; “A Donzela”; e, a ”Moura Torta”, entre diversos romances, Em 1957, recebeu da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio Machado de Assis.

Nélida Piñon -   jornalista, romancista, contista e professora - primeira mulher a integrar a diretoria da Academia Brasileira de Letras  e a ocupar a cadeira de Presidente da Casa de Machado de Assis - no ano do seu I Centenário. Sua obra está traduzida para países como Alemanha, Itália, Espanha, União Soviética, Estados Unidos, Cuba e Nicarágua.

 

Na MÚSICA, maravilharam com suas vozes e aptidões:

 

Ambrosina Corrêa do Lago - nasceu em 1850. Apoiada pela família, cantou junto a sua irmã, na estreia da ópera A Noite do Castelo - de Carlos Gomes . Conta a História que o maestro Carlos Gomes havia se apaixonado por Ambrosina, antes de embarcar para estudar na Itália. De volta ao Brasil, procurou encontrar-se com sua amada... mas ela já estava casada, e o seu pai não permitiu tal encontro. O compositor de “O Guarany”, devido ao desencontro romântico,  escreveu a modinha "Quem sabe",  dedicando-a à Ambrosina.

 Araci Teles de Almeida - nascida em 19 de agosto de 1914, Araci começou a cantar na Igreja Batista, em que seu irmão era pastor. Conheceu Noel Rosa,  em 1933, ao ser convidada  para cantar na Rádio Educadora, Gravou seu primeiro disco; em 1935. Foi a maior interprete de Noel.

 Bidu Sayão - Balduína de Moreira Sayão, nasceu no Rio de Janeiro no dia 11 de maio de 1906. Apelidada de “Pequeno Rouxinol”, já aos 10 anos tocava clássicos ao piano, declamava e cantava cançonetas. Com 16 anos apresentou-se em curtos recitais no Teatro Trianon e no Salão do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua última exibição  no Brasil, aconteceu em 1950, afastando-se da vida artística no auge de sua carreira. Apresentou-se mais uma vez, a pedido de Villa-Lobos, no Carnegie Hall, em 1958. Faleceu no dia 12 de março de 1999.

Carmem Gomes de Oliveira - nesceuem 5 de março de 1900. Estudou música na Escola Nacional de Música. Extreiou, em 1925, no Teatro Municipal, interpretando a Tosca. Era integrante da comitiva artística que acompanhou Getúlio Vargas a Buenos Aires, em 1935, interpretando o papel de Ceci, na ópera O Guarani, de Carlos Gomes. Tem seu busto, em bronze, erguido na Praça Paris. Faleceu em 12 de julho de 1955.

Carmen Miranda – Originária de Portugal, mas chegou ao Brasil com menos de um ano, a “Pequena Notável”, como era chamada, deixou muitos brasileiros embasbacados com as suas apresentações. Com certeza, foi a maior representante da música brasileira nos EUA, onde residiu por muitos anos.

 Chiquinha Gonzaga - Francisca Edwiges Neves Gonzaga, nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1847. Compositora, pianista e regente brasileira, foi a primeira pianista a tocar choro. É de sua autoria a primeira marcha carnavalesca “Ô Abre Alas”, composta em 1899. Teve a primazia de ser a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

 Clara Nunes - nasceu em 12 de agosto de 1943 e faleceu no auge de seus 40 anos. Tinha uma voz linda. Em 1974 fez parte da delegação que representou o Brasil num festival internacional de música, realizado em Cannes.

 Clementina de Jesus - nascida em 7 de agosto de 1902, filha de um violeiro, cresceu ouvindo os cantos de trabalho, jongos, benditos, ladainhas e partidos altos cantados por sua mãe. Frequentou rodas de samba, principalmente as da casa de Maria Nenê e a Escola de Samba da Portela. Porém, passou a ser Mangueirense, ao se casar, em 1940, com o Albino Pé-grande, integrante da Estação Primeira.

 Dalva de Oliveira  - Vicentina de Paula Oliveira. Trabalhava numa fábrica de chinelos, quando chegou ao conhecimento de um dos proprietários da fábrica, que também o era da Rádio Ipanema, no Rio de Janeiro, que tinha uma bela voz. Assim, teve início a sua carreira da cantora. Fez parte do “Trio de Ouro”, conjunto que fazia o maior sucesso em todo o Brasil.  

Dircinha Batista - Dirce Grandino de Oliveira nasceu em 07de maio de1922. Gravou seu primeiro disco aos 8 anos, com músicas de autoria de seu pai, usando ainda o nome de Dircinha de Oliveira. Fez carreira em rádios, além de  atuar no cinema.

Dolores Duran - Adiléia Silva da Rocha nasceu no dia 07de junho de 1930. Começou sua carreira de cantora na rádio Tupi, aos 10 anos, no Programa Calouros em Desfile, de Ari Barroso. Seu estilo romântico, deu à Dolores uma característica glamorosa.

 Elis Regina – A “Pimentinha”, como foi carinhosamente chamada, por Jair Rodrigues, um de seus grandes amigos, tinha um ritmo magistral, e com a sua voz maravilhosa conseguia fazer a MPB ser aplaudida em  todos os cantos de Brasil

 Elizeth Cardoso - Nascida em a 16 de julho de 1920, no Rio de Janeiro, aos cinco anos fez a sua estreia como cantora na antiga Kananga do Japão. Chamada de “Divina”, enfrentou enormes dificuldades, mas a interpretação do samba Boneca de piche, em parceria com seu grande amigo e ator Grande Otelo, propiciou que continuasse a cantar .

Emilinha Borba- Emilia Savana da Silva Borba teve como madrinha a cantora Carmem Miranda e começou sua carreira bem cedo, e logo passou a ser a “crooner" do Cassino da Urca no Rio de Janeiro. Tornou-se a cantora mais Popular do Brasil, cantando marchinhas do carnaval. Disputava a popularidade com a cantora Marlene.

Marlene- era o nome artístico de Victória Delfino dos Santos (Victória Bonaiutti de Martino, quando solteira), nasceu em São Paulo, 22 de novembro de 1924. Foi a cantora e atriz brasileira que gravou mais de 4.000 canções em sua carreira, Marlene (junto com Emilinha Borba) foi um dos maiores mitos do rádio brasileiro, na época de ouro. Sua popularidade nacional também resultou em convites para o cinema  e para o teatro.

Ivone Lara da Costa - nasceu no Rio de Janeiro em 13 de abril de1922. Aos seis anos ficou órfã e foi para um colégio interno, onde estudou música com Lucila Guimarães Villa-Lobos. Participou do Orfeão dos Apiacãs, sob a regência do maestro Villa-Lobos. Casou-se com Oscar, filho do presidente da Prazer da Serrinha, e escreveu o samba “Nasci pra sofrer”, com o qual a escola desfilou. Foi madrinha de Ala da Império Serrano, e gravou seu primeiro disco em 1978.

Nara Leão – Capixaba, nasceu em 19 de janeiro de 1942. Tinha uma vozinha miúda e suave. Gravou, em 1964, o seu primeiro disco. É tida como a “musa da bossa nova”. Faleceu no Rio de Janeiro em 7 de junho de 1989.

 Zilda do Zé  - Zilda Gonçalves nasceu no Rio de Janeiro em 18 de março de 1919. Sua carreira teve início na Rádio Transmissora.  Casou-se com o compositor José Gonçalves, e formou a “Dupla de Harmonia”, também conhecida como “Zé da Zilda e Zilda do Zé”.

 

 

Perdoem-me as ARTÍSTAS BRASILEIRAS, se não consegui dar um colorido esplendoroso à homenagem que lhes dedico.  Com certeza, é muito difícil enaltecer grandezas, por isso busquei na simplicidade traduzir a minha gratidão, o meu respeito e a minha admiração, para saudá-las pelo DIA DA MULHER.

 

 

 

 

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Fevereiro 2012

 

ARTESANATO CAPIXABA

Embora quando se fala em artesanato capixaba, quase que de imediato, vem à mente as panelas de barro, não vou fazer nenhum comentário sobre esta arte secular deixada de herança pelos Tupiniquins – exímios confeccionadores de artefatos de argila. Hoje, pretendo falar de uma outra modalidade artística, que muito me deixou admirado tão logo a conheci, ao visitar as lojas de artesanatos, no balneário de Guarapari: As obras feitas com conchas marinhas.

Sem dúvidas é um trabalho minucioso, de muito bom gosto, que requer uma paciência apurada, uma vez que a delicadeza das peças exige um caprichosa habilidade manual.

É interessante dizer que o artesanato de conchas também teve a sua origem na cultura indígena usada pelos gentios que viviam no litoral espírito-santense... e a cidade de Piúma é o centro dessa modalidade artística, no estado do Espírito Santo, sendo inclusive conhecida como a “cidade das conchas”.

Geralmente, como todo artesanato, os trabalhos feitos com conchas são confeccionados nas próprias casas dos artistas, que passam seus conhecimentos e habilidades aos parentes mais próximos, criando uma espécie de “atelier familiar”.  E mesmo que façam da confecção das peças, uma condição de geração de trabalho e de renda, as obras efetuadas não perdem as características de verdadeiras obras de arte... Basta vê-las.

 

 

                                                       

 

De algum tempo para cá, foi criada até uma Associação de Artesãos, na cidade Piúma, buscando aprimorar o trabalho e ampliar o valor, devido à confecção de artefatos mais bem acabados e diversificados. Tendo também como objetivos, tornar as peças mais atraentes e arrojadas e promover as suas comercializações em centro mais avançados, incluindo a exportação.

 

 

Na cidade de Afonso Cláudio – região serrana do estado -  está situada a Igreja de São Sebastião do Alto Guandu. Nessa Matriz, o Padre Paulo de Tarso confeccionou - com conchas -um mosaico simbolizando a Eucaristia. Contam que o pároco, que também era engenheiro, pediu, aos seminaristas do Seminário de Anchieta, cidade litorânea, que apanhassem,  na praia local, o máximo de conchas, para que ele as utilizasse, como matéria prima, na confecção do “Ostensório de Conchas da Igreja”.

Vejam a obra maravilhosa feita pelo sacerdote:

 

Ainda que minha intenção tenha sido relatar sobre o Artesanato Capixaba de conchas, como arte, não posso deixar de informar que, quanto à origem do emprego de conchas em trabalhos artísticos, certos autores atribuem ao povo Africano, como sendo o primeiro a utilizar os invólucros calcários de mariscos na confecção de joias, a serem usadas pelo ser humano. Relatam, ainda, que algumas peças foram encontradas na África do Sul, na caverna de Blombos, sendo um colar com 41 (quarente e uma) conchas perfuradas a mais antiga, com aproximadamente 75000 (setenta e cinco mil) anos de existência.

Já outros historiadores, dizem que as primeiras obras foram criadas em Israel, conforme se pode comprovar  com as peças encontradas nos sítios arqueológicos de Skhul: 3 (três) conchas perfuradas, que deveriam pertencer a um colar, com 100000 (cem mil) anos de existência.

 

Contudo, independente de onde tenha sido a origem do emprego de conchas na elaboração de trabalhos artísticos, há que se reconhecer que as peças do artesanato capixaba com cochas, realmente, constituem maravilhosas obras de arte.

 

 

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  JANEIRO - 2012   

 

ORIGAMI

 

 

Oriunda do Japão, essa Arte de refinado bom gosto, consiste na Dobradura de Papeis  (折  oru – dobrar e 紙 kami – papel) para criar objetos, pessoas e animais. É importante esclarecer que o papel não sofre nenhum corte nem tampouco colagem, tudo é feito com dobras geométricas em uma única folha. Os princípios básicos da confecção determinam que o Origami deva ser criado partindo de um papel plano, bidimensional, de forma que o resultado seja um objeto tridimensional.

Sem dúvida, a característica mais evidente dessa Arte é a delicadeza, uma vez que exige muita habilidade e destreza para a sua confecção. Sempre originada de uma folha de papel quadrada ou retangular é capaz de formar figuras de uma complexidade incalculável, após ser dobrada por diversas vezes. O papel usado pode ser de uma única coloração ou apresentar as duas faces com cores diferentes ou ainda estamparias.

Mas, para falar de Origami não há como deixar de mencionar algo bem interessante que dá uma ideia de como essa Arte deve ter surgido, no Japão.

Por volta dos anos 105, o chinês T’sai Lao, misturando cascas de árvores, panos e redes de pesca, acabou inventando o papel... Essa invenção, ou melhor, as maneiras e técnicas de como fabricar o papel, durante séculos, foram mantidas em segredo pela China, o que lhe possibilitava cobrar uma exorbitância por sua exportação. Contudo, a técnica para fabricar papel acabou chegando ao Japão, por meio de monges coreanos. E a partir dessa contribuição, o pais passou a se aprimorar, tornando a fabricação do papel mais aperfeiçoada, de forma que o material fosse mais fino, mais adequado e mais resistente, o que permitia ser dobrado com maior facilidade.

Certos historiadores dizem que “as primeiras confecções de Origamis surgiram na Antiguidade, por volta do século VI, quando um monge budista trouxe para o Japão o método de fabricação do papel da China”.

Esses Origamis tinham caráter simbólico nos rituais das cerimônias xintoístas. Na realidade, eram feitos para envolverem os noshi – oferendas -  com a função primordial de separar o puro do impuro. Considerando que o Estado e a Religião se confundiam entre si - Seisei Ichi -  as Dobraduras representavam a natureza das cerimônias religiosas, uma vez que eram confeccionadas utilizando papéis fabricados exclusivamente para o uso das sacerdotes xintoístas.

Até hoje, os Origamis são colocados nos templos xintoístas no lugar da divindade, tomando a sua forma. A mais antiga Dobradura encontra-se no Ise Jingu, província de Mie, o que leva a certos historiadores a dizerem que o surgimento do Origami é tão antigo quanto o próprio Japão.

Outros autores afirmam que a Arte da Dobradura foi criada no período Edo, por volta de 1600.

Inicialmente, devido ao preço muito alto do papel, só determinadas pessoas abastadas tinham possibilidade de mostrar as suas habilidades na realização de obras de Origami. Porém, à medida que os métodos e técnicas de fabricação do papel foram se desenvolvendo e tornando mais simples a confecção, a matéria prima passou a ser mais accessível ao povo, em geral, e o Origami não demorou muito para se transformar em Arte Popular no Japão.

No entanto, conta a História que as pessoas mais pobres se preocupavam em não desperdiçar, guardando cada réstia de papel, com muito apreço, para usá-las na elaboração de Origamis.

Os primeiros Origamis foram criados sem que fossem seguidas quaisquer instruções. Os modelos apresentados eram frutos da criatividade e da habilidade do próprio artista - seu confeccionador. E durante séculos a Arte da Dobradura foi repassada de geração à geração, unicamente, através da palavra oral, como uma verdadeira herança cultural japonesa.

Contudo, no ano de 1797, Hiden Senbazuru Orikata publicou um livro contendo as primeiras instruções de Dobraduras para obter um pássaro sagrado da Índia.

Por volta de 1845, uma coleção de 150 modelos de origami, também foi publicada, fazendo com que a prática das Dobraduras se espalhasse como uma atividade recreativa, embora, a concepção do Origami como Arte, se mantinha viva. É interessante dizer que havia, em 1819, uma inscrição impressa em uma peça de madeira que mencionava “ Um mágico transforma folhas em pássaros”, referindo-se ao Origami.

A Arte do Origami não permaneceu exclusivamente no Japão, vários países da Europa, da África e, até, das  Américas absorveram a Dobradura. Em alguns países, o Origami não foi admitido só como Arte, pois inclusive foi introduzido como prática educativa nas atividades escolares.

Um dos Origamis mais conhecidos é o Tsuru – Garça-. Abaixo estão transcritas as instruções para a sua confecção... é bom levar em conta que no Japão existe uma lenda dizendo que o Tsuru é uma ave que vive mil anos e tem o poder de conceder desejos - se uma pessoa dobrar mil Tsurus e fizer seu desejo a cada um deles, será atendido.  Aproveite.   ,

 

É importante dizer que o Origami também é Ciência, pois todas as dobras são geometricamente efetuadas. Mas,  ao ser confeccionado um modelo numa peça rígida, foi usado para levar para o espaço grelhas de painéis solares para satélites.

Quero terminar, dizendo que ao completar cinco anos, ganhei de presente de aniversário um conjunto de instruções para a confecção de Origamis, com os respectivos papéis.

Com certeza, foram horas e horas confeccionando tusrus, capacetes de samurais, sapos, caixas exóticas e muitos outros... mas, o que mais me despertou o interesse foi o de uma Canoa, sem teto... tanto que até hoje, vira e meche,  eu me ponho a confeccioná-lo. Para ilustrar,  apresento as instruções para a sua elaboração. Quem sabe você também ficará interessado.

 

 

 

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  DEZEMBRO  -  2011

 

Natureza Morta

Parece-me importante começar explicando que Natureza Morta é um gênero de pinturas em que são apresentados objetos inanimados, daí tal denominação.

Seu surgimento data da Idade Média, considerando que era comum encontrar-se objetos pintados nas obras de cunho religioso realista, embora, tais configurações servissem unicamente de fundo. No entanto, por volta do ano  de 1507, esse estilo de pintura aparece como uma expressão independente, nas obras do pintor Pieter Aertsen e mais tarde – 1527 - nas composições simbólicas e grotescas de Giuseppe Arcimboldo, em que eram pintadas frutas, animais e objetos.

Já no século XVII, a Natureza Morta começa a tomar um vulto mais expressivo com a elaboração de desenhos, peculiares às ciências naturais, em que são representados pictoricamente os objetos e a própria natureza, tais como empiricamente eram observados. Dessa forma, começam a ser efetuadas associações da Natureza Morta  à ilustração científica e  à  pintura naturalista -  desenvolvida pelos artistas holandeses  em seus temas domésticos e elaborados com riqueza de detalhes.

Amiúde, para compor a Natureza Morta, são escolhidos  objetos, tais como: mesas com iguarias, garrafas de bebidas, louças e talheres, instrumentos musicais, livros, ferramentas, frutas, flores... em suma, os mais variados utensílios referentes ao âmbito privado, ao ambiente doméstico, às profissões, à decoração e ao convívio no seio da casa.

Esse estilo de pintura recebeu uma certa desvalorização em relação a outros estilos, quiça devido à própria denominação que lhe é dada...  na realidade, “Natureza Morta” significa “condição imóvel”... “sem vida”. Todavia, é importante reconhecer que nesse gênero de pintura, observa-se uma realidade pormenorizada do objeto, revelada pelos contrastes de luz e sombra, o que faz com que seja ensinado, com meticulosidade e constância, nas escolas de belas artes, em razão de explorar inúmeras técnicas,  de propiciar ao aluno o desenvolvimento da observação e possibilitar a aprendizagem dos  princípios fundamentais da arte de pintar.

É interessante mencionar que o pintor Michelangelo Merisi – mais conhecido como Caravaggio, por adotar como nome o do lugar que nasceu - entre 1592 e 1599, foi um dos pioneiros a desafiar, com seu quadro “cesto de frutas”,  a hierarquia imposta pelos “grandes mestres” da época, que viam a Natureza Morta como um estilo de menor expressão...

 

 

"Custa-me tanto trabalho fazer um bom quadro de flores, quanto um quadro de figuras", afirmou ele.

Na Espanha, Juan Sánchez Cotán endossa o gênero com  o quadro “Marmelo, Couve, Melão e Pepino”, em 1600.

 

 

Em Madri, Juan van der Hamen y León estabelece novos padrões à Natureza Morta, dispondo os objetos em diferentes níveis e reduzindo o número de elementos com frutas e objetos de Cristal, em 1626.  

E assim, a Natureza Morta vai tornando-se mais evidente como gênero de pintura.

Em Pariz, Jean-Siméon Chardin constitui-se no maior pintor francês de Naturezas Mortas. Seu célebre quadro A Arraia, em 1728 mostra suas preferências de composição: uma prateleira de pedra e a austeridade do ambiente interior, os objetos distribuídos dentro de uma ordem prática – como que sugerindo atividade humana-,  as texturas do linho e da cerâmica, um gato em meio às ostras e aquela arraia sangrando no centro do quadro.

Embora pudesse terminar dizendo que, dessa forma, a Natureza Morta passou a ocupar, em todos os recantos do mundo, um lugar respeitável na História da Arte, parece-me que seria injusto deixar de mencionar que a pintura de Albert Eckhout, em 1643, composta por frutas e vegetação – “ Frutas Brasileiras” - encontra-se entre as primeiras Naturezas Mortas realizadas no Brasil.

Também é importante dizer que o gênero se expandiu no século XIX, com as composições de Agostinho da Motta e Estêvão Silva.  pintores por demais significativos  no contexto carioca.

E que no início do século XX, em São Paulo, destacou-se como representante da Natureza Morta, o pintor Pedro Alexandrino. Embora, seja oportuno  lembrar que no período de 1930 a 1940, o estilo ganhou maior importância, com os artistas reunidos no Núcleo Bernardelli  e Grupo Santa, e que nos anos de 1950, Milton Dacosta, Maria Leontina  e Iberê Camargo , entre outros, despontaram como pintores de Naturezas Mortas.

Agora já posso terminar... Contudo, gostaria de informar que muita gente “acha’ que a Natureza Morta é um estilo de pintura popular... ledo engano, é importante saber que esse estilo de arte exige sérios cuidados, primordialmente, na escolha dos objetos que o constituirão, uma vez que o espaço que envolve o tema seja tão importante quanto o próprio tema.... Da mesma forma,  a distribuição dos elementos (utensílios, frutas, flores ou outros objetos) na tela, deve ser muito bem equilibrada e harmoniosa, buscando dar destaque às partes principais do tema escolhido.

Não há como deixar de lembrar que o efeito final, da obra, dependerá muito da adequação do posicionamento de todos os elementos que irão constituir a pintura.

 

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Novembro - 2011

 

A TROVA

 

Tinha eu uns dez anos de idade, quando escutei, num programa de rádio denominado “Programa Júlio Louzada”,  uma linda trova.

O famoso locutor, da época, que dava o nome ao programa, fazia um enorme sucesso devido aos coselhos que dava para amenizar os problemas amorosos ou familiares que lhe enviavam. Mas havia um momento na transmissão em que eram declamadas  trovas e poesias ... E ele, com uma voz agradável, dava tal enfase à recitação, que todos os ouvintes ficavam inebriados.  

Sempre fui um verdadeiro amante da poesia...  como já mencionei em ocasião anterior,  fora “doutrinado” por minha mãe - uma autêntica poetisa autodidata - que buscava transmutar a vida em momentos poéticos... Mas, não quero me devanear pelo passado e deixar  a trova, que escutara, de lado...  Sem dúvida, era muito linda e assim enunciava:

Nossa Senhora das Dores

Tem sete espadas no peito,

Saudade tem sete letras

Que ferem do mesmo jeito.

Até hoje, não sei de quem é a autoria, mas agradeço ao autor por me ter  despertado para os versos heptassilábicos -  as redondilhas maiores. Creio serem divinos... Afinal de contas... “o sete, foi o número que mais Deus amou”.

Depois que escutei a trova, meu interesse foi tão grande que busquei informações a respeito e verifiquei que tais composições poéticas eram divulgadas pelos menestréis – poetas da época medieval - que cantavam a beleza do amor, a candura da mulher amada e a desgraça das batalhas e bravura dos heróis .

E eu, ainda que não tivesse um conhecimento preciso,  imaginava aquele homem vestido de calçonete beje, sobreposto às meias escarlates ajustadas às pernas, calçando botas de tecido, trajando um colete todo brocado que sobressaía-se à camisa de seda azul marinho, e, na cabeça, uma boina de veludo vermelha, da qual pendia um pequeno penacho colorido... E  o “meu o Menestrel” saia pelas estradas  dos vilarejos, a  recitar  as trovas ao som melodioso de seu alaúde. 

Em verdade, como eu era um tanto jovem, mas muito criativo, pode até ser que tal concepção tivesse sido gerada, por alguma configuração que eu vira, e que se transformara, em minha cabecinha, numa linda fantasia.

E o amor pelas trovas permaneceu vido...

Alguns anos mais tarde, procurei pesquisar de fato, buscando  cientificar-me se existia alguma relação do menestrel com a trova...  qual não foi a minha surpresa em constatar que,  na Idade Média, época da galanteria e dos feitos heróicos, surgiram poetas que apregoavam os seus poema em formato de “cantigas”, e denominados de "menestréis". Tais aventureiros saiam a devastar caminhos desérticos, indo de castelo em castelo, ressaltando a beleza das mulheres, a bravura dos cavaleiros, e, os atos de heroísmo dos reis e monarcas...sempre em versos setissilabos.  Por isso,  eram também conhecidos como  "trovadores".

Contudo, não consegui saber ao certo, de onde e quando se deu o surgimento das trovas... e o que lí levou-me a crer que a TROVA tenha aparecido na Idade Média - mais provavelmente, no período entre os séculos XI e XIV -, quando certos poetas líricos, no sul da França – em Provença –, expressando-se na LÍNGUA DE ÓIL (conjunto de dialetos falados ao norte do rio Loire, em que o OUI (sim) era pronunciado OIL), apresentavam as suas composições poéticas em quatro versos.

Verifiquei que a trova deu início à escola literária portuguesa, tendo como marco a “Cantiga de Guarvaia”, feita por Paio Soares Taveirós e dirigida à Maria Pais Ribeiro – mulher muito cobiçada na corte – no ano de 1189.

Aprendi, ainda que em razão da população ser, na época,  quase toda analfabeta, a cultura era transmitida oralmente. Existia um dualismo linguístico, entre a cultura monástica (escrita em latim) e a cultura laica ou profana (transmitida oralmente em língua galego-portuguesa), surgindo então a poesia trovadoresca.

Reparei que outros especialistas esclareciam que a TROVA, teve sua origem em duas tradições poéticas: a tradição popular e a influência direta dos “troubadours” de Provença... e sendo, muito mais uma cantiga que uma poesia,  os seus versos eram cantados e sempre acompanhados de instrumentos musicais, daí, também ser conhecida como “CANTIGA”,  uma vez que seu público era bem mais constituído por ouvintes que leitores.

Todavia, o mais interessante, é que conferi que a palavra TROVA é originária da língua francesa – TROUBER - que significa “achar”, o que levou-me a inferir que o termo trova traduzia os “motivos achados” pelos trovadores, para escreverem as suas composições poéticas.

Assim, não vejo como negar que a TROVA atual tenha um ponto de contato com as “cantigas” e com os “menestréis” que as divulgavam na Idade Média. Sem dúvida, muitas mutações devem ter ocorrido... muitas maneiras de escrevê-la... muitas formas de apresentação... muitas variações regionais...   muitas influências pessoais... até alcançarem os estilos, que hoje a caracterizam.

Avaliei que há algum tempo, a TROVA era sinônimo de poema, de poesia ou quadra popular...  e que, atualmente, TROVA, ainda que continue sendo um poema, uma poesia,  constitui-se numa composição poética com uma característica toda peculiar...  Assim sendo, a TROVA é um poema estruturado apenas por uma única estrofe, que se completa em quatro versos de sete sílabas...  

Além do mais, hoje, escrever uma trova, exige uma preparação adequada e o cumprimento de inúmeras técnicas.

Nas minhas pesquisas apreciei o que disse o  Presidente da União Brasileira de Trovadores – UBT - Sr. Luiz Otávio, ao mostrar uma conjetura toda especial referente à TROVA: " A TROVA contém duas partes: O Corpo e a Alma”.

E pude compreender que:

O Corpo lhe dá a Forma, estabelecida pelo Ritmo - resultante da metrificação e das tônicas” – e pela Melodia,  transmitida pelas rimas... É a parte que pode ser aprendida por qualquer pessoa...

E a Alma corresponde à Essência, fundamentada na Mensagem Poética, na Originalidade, na Comunicabilidade, na Simplicidade e na Harmonia Interior... É a parte que personaliza a trova... uma vez, que é exclusiva do trovador.

 

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Outubro - 2011

 

 A ARTE _ CONCEITOS PESQUISADOS

Busquei pesquisar alguns conceitos de Arte. A minha intenção era deixar transcrito um pequeno resumo das opiniões que encontrara. Todavia, qual não foi a minha surpresa ao constatar a meticulosidade com que os autores efetuaram os seus trabalhos... Com certeza, registrar pedaços dos assuntos expostos, me pareceu totalmente descabido, pois acabaria fazendo uma “colcha de retalhos” e não atingiria o meu objetivo.

Contudo, pude observar nos diversos artigos expostos, uma opinião comum sobre Arte. Ainda que estivesse explicitado de maneira pessoal, o julgamento era unânime. Assim, todas as idéias buscavam afirmar que a Arte é “extremamente subjetiva de ser conceituada”, uma vez que, não demonstra ser uma condição estática, variando  no tempo e se transformando com a cultura, além de ter de ser considerado o período da História em que ela ocorrera, como o próprio indivíduo que a executou.

Um outro ponto que muitos autores concordaram é que a Arte se destina ao Ser Humano e, consequentemente, se utiliza dos sentidos humanos para a sua manifestação. Pode-se constatar tal afirmativa ao se observar que a pintura se aproveita do sentido visual; a música, do sentido auditivo; a escultura, do tato; a flagrância, do olfativo; as iguarias, do gustativo. Até mesmo para dar a ideia de movimento, qualquer  que seja a modalidade artística, se ultiliza do sentido cinestésico, que  promove a percepção de tais sensações.

É importante  enfocar que todos  abordaram que a Arte está relacionada à percepção humana... e isso significa dizer que a Arte, tanto pode mostrar a relaidade, como extrapolar o que é real, exagerar nas concepções que são aceitas e, inclusive, criar novas formas, levando o individuo a perceber outras realidades.

Também é interessante mencionar que levando em conta o conceito da Arte - do latin ARS - significando técnica ou habilidade, certos autores disseram que a Arte é um produto ou um processo, que usa o conhecimento para realizar determinadas habilidades. Assim sendo, entendem a Arte como uma atividade ou produto de uma atividade, uma vez que a Arte seria o produto criado pela manipulação do homem sobre qualquer matéria prima.

Efetivamente, o conceito de arte é extremamente subjetivo e varia de acordo com a cultura a ser analisada, período histórico ou até mesmo indivíduo em questão.

Por fim, encontrei um texto que me pareceu resumir tudo sobre Arte, por isso, eu o transcrevo para concluir o comentário de hoje.

“Ernst Gombrich, famoso historiador de arte, afirmou que:
nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas (A História da Arte, LTC ed.).

Arte é um fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno.

Arte pode ser sinônimo de beleza, ou de uma Beleza transcendente. Dessa forma, o termo passa a ter um caráter subjetivo, qualquer coisa pode ser chamada de Arte, desde que alguém a considere assim, não precisando ser limitada à produção feita por um artista. Como foi mencionado, a tendência é considerar o termo Arte apenas relacionado, diretamente, à produção das artes plásticas.

Os historiadores de arte buscam determinar os períodos que empregam certo estilo estético por 'movimentos artísticos'. A arte registra as idéias e os ideais das culturas e etnias, sendo assim, importante para a compreensão da história do Homem e do mundo.”


 

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SETEMBRO - 2011

 

 

COMO NASCEU A MÙSICA

 

Ontem assisti a um concerto da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo... e, com sinceridade, enquanto ouvia as tocatas, vi-me no infinito... Parecia estar vivendo em outra dimensão.

Ao regressar à casa... já deitado, confortavelmente, em minha cama, porém,  ainda envolvido pela suavidade da música que escutara, comecei a imaginar como aquela maravilhosa ARTE deveria ter surgido.

Lembrei-me que muitas figuras rupestres, apresentam grupos de pessoas dando a impressão de estarem dançando, tocando instrumentos ou cantando. Por isso, poder-se-ia deduzir que o homem, em seus primórdios, já desfrutava da ARTE MUSICAL.

 

 

Mas, os meus pensamentos voaram e me levaram a imaginar como tal arte teve o seu início.

De pronto, conjeturei o homem, bem antes da época em que conseguiu expressar as suas idéias com figuras, nas pedras e nas paredes das cavernas... Encontrava-se parado, diante de imensas florestas virgens e pedras gigantescas... de repente, abriu a boca e lançou um som... ficou pasmado consigo mesmo, ao ouvir a sua própria voz ecoando por todos os recantos da natureza. Quiçá, fora aquele, o instante em que o homem conseguiu entender que possuía uma capacidade de emitir sons... e, então, provocou vários outros sons semelhantes, um atrás do outro, como querendo comprovar a si próprio a sua capacidade...  em seguida, também percebeu que podia variar a modalidade de suas emissões e, se pôs a experimentar a sua descoberta.

Pensei, então, no homem sendo impelido pelos acontecimentos diários a usar os sons, que experimentara emitir... e os modulava, de acordo com as situações pelas quais passava... com certeza, dessa forma, aprendera a mudar o volume de sua voz e a maneira de expandi-la...Então, em razão das circunstâncias que enfrentava, muitas vezes, devido aos perigos – que não eram poucos -, motivado pelos sustos, pelas surpresas e pelas ameaças, produzia sons diferentes e, pouco a pouco, foi assimilando e associando-os àquelas comoções. Da mesma maneira, aconteceu em outras situações emocionais... a satisfação, a alegria vividas nas vitórias e nas conquistas, também  provocaram  a emissão de sons... sons mais vistosos... mais vivos...

Quiçá, naqueles instantes tenham surgidos os primeiros ensaios na ARTE MUSICAL, uma vez que usava a sua capacidade de emitir sons para expressar as suas emoções, diferenciando a voz, em cada momento vivido... ora, era, forte, grossa... ora, tornava-se aguda, estridente... ora era suave e harmônica.... mas, sempre servia como um brado para “cantar” as suas agonias, as suas insatisfações, as suas vitórias e as suas alegrias... mas, todos os sons emitidos tinham os seus significados particulares diante das emoções que lhes correspondiam.

O homem, com mais presteza, também passou a escutar os sons dos pássaros - que sempre constituíram verdadeiras composições musicais naturais –, os de outros animais e os da própria natureza, e então, buscou imitá-los e associá-los, modificando ainda mais o seu repertório de sons,  ampliando de forma incomensurável as suas interpretações vocais.

Com certeza, em certo momento, aproveitou os sons que aprendera emitir, não só como forma de expressar os perigos, de enaltecer as glórias e de demonstrar outras comoções, mas também para promover e manter a união dentro de seu grupo, para incitá-lo à luta e, até mesmo, para alegrá-lo e distraí-lo em determinadas ocasiões. Aí, via-se a ARTE MUSICAL consolidada.

E o desenvolvimento dessa ARTE? Como deve ter acontecido?... pensei eu...

Com certeza, deve ter começado quando o homem conseguiu produzir sons sem ser vocais.... Ao bater uma pedra em outra, ao bater forte um pedaço de pau numa árvore, ao soprar em uma taquara, o homem conseguiu produzir outros sons completamente diferentes dos que conseguia produzir com a voz... e, assim, através de dessas experiências ocasionais, acabou por descobrir como promover e utilizar novos sons.

Por certo, a vivência adquirida, com essas experimentações, fez com que o homem percebesse também que poderia produzir os mesmos sons, de forma diferente... não precisava bater diretamente nas árvores, mas em lascas de madeiras, em frutas ocas... soprando em pedaços menores da siriúbas. E assim, passou a fazer artefatos, dos quais iria extrair sons idênticos... além disso, poderia produzi-los em lugares diversos e distantes... começavam a ser confeccionados os primeiros instrumentos musicais.

E juntando todos os sons, o homem diversificou e conseguiu perpetuar a MÚSICA.

Com o tempo, o homem cada vez mais foi se desenvolvendo... mudando de costumes, de culturas, de comportamentos... e à medida que ele ia crescendo na escala animal, concomitantemente a Música também o acompanhava na escala artística... A voz passou a ser usada muito mais como um instrumento, que uma condição natural... suas vibrações passaram a ser educadas, buscando adaptações e adequações peculiares às circunstâncias e maneiras de serem usadas. Os instrumentos, deixaram de ser simples peças artesanais para se transformarem em magníficos organismos... tão complexos, que só as especializações permitem a perfeição de suas execuções.

E, em meio aos acordes dessas suposições e verdades, a ARTE MUSICAL me adormeceu.

 

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AGOSTO - 2011

 

  

A ARTE DE BARRO

 

Ainda que todas as obras de arte me transmitam uma grande satisfação, os  artesanatos feitos em barro são as que mais me chama à atenção... quiçá, por demonstrarem um puro sentimento de ingenuidade. E, entre eles, os bonecos do Mestre Vitalino dão-me a impressão de melhor traduzirem a perfeição dessa modalidade artística.

Vitalino Pereira dos Santos. o verdadeiro representante brasileiro da arte em barro,  nasceu em 1909, no Caruaru de Pernambuco. Era filho de filho de lavradores e, desde pequeno, aos seis anos de idade já modelava “bichinhos” com o barro.

Creio eu que Vitalino tenha herdado, de sua mãe, a arte de modelar o barro, pois ela era uma das muitas artesãs de utensílios domésticos com o barro - “louceiras” - que existiam em Ribeira dos Campos. Contam que o menino ajudava a mãe fazendo “loiça de brincadeira”, daí a sua habilidade. E que,  em determinado momento, Vitalino deixou os apetrechos domésticos de lado, para produzir cerâmicas furtivas. Dessa forma, as peças modeladas em barro passaram a reproduzir motivos regionais, sobretudo, salientando os hábitos do sertanejo brasileiro.

Sem dúvida o folclore nordestino foi a sua maior inspiração. Vindo também a ser o que lhe propiciou a formação da sua marca pessoal: “Mestre Vitalino”.

 

Mestre Vitalino mostrando uma de suas peças.

 Entre as muitas peças modeladas, destacam-se o Cortejo nupcial, o Casamento no mato, o Enterro na rede, o Enterro no carro de boi, o Boi transportando cana, a Vaquejada, o Vaqueiro que virou cachorro, a luta do homem com o Lubishome, o Boi transportando o vivo e o morto, Lampião a pé, Lampião e Maria Bonita, o Agricultor voltando da roça com a família,  os Retirantes. 

Representando a vida hurbana, Vitalino modelou o Dentista, o Fotógrafo, o Trem a vapor,          a PRA-8, a Operação, o Advogado, a Costureira  e a Banda

 

            A BANDA

                  .

Moldou ainda uma série de peças que mostra ele próprio como ceramista... uma verdadeira  auto-modelagem: Vitalino cavando barro, Vitalino trabalhando, Vitalino queimando a loiça, Vitalino e Manuel carregando a loiça.

Para modelar suas peças, o artesão usava o MASSAPÊ, retirado da vazante do rio Ipojuca. Depois de transportado em balaios para casa, o barro era molhado e deixado em depósito por dois dias para ser curtido. Só então era amassado e modelado.

Após a modelagem, todas as peças eram colocadas num forno circular construído ao ar livre, atrás da sua casa, para serem cosidas.

Depois de algum tempo de confecção de suas obras, o artísta começou a colorir as peças, de maneira que se tornassem mais atraentes. No início, a aplicação da cor era feita com barro de diferente tons - tauá, vermelho, branco. Em seguida, Vitalino passou a usar produtos industriais na pintura dos seus bonecos.

               

                    OS RETIRANTES

No início da produção das peças, não deixava marca alguma mostrando serem de sua autoria. Posteriormente, passou a assinalar com lápis e tinta preta as iniciais V.P.S, no reverso da base dos grandes grupos, e a partir de 1947, começou a utilizar um carimbo, também de barro, com as mesmas iniciais V.P.S e, finalmente, em 1949, usou o seu nome de batismo.

O trabalho feito por Vitalino foi revelado ao público, do resto do país, pelo artista plástico Augusto Rodrigues. Apresentou as peças em primeira mão, numa exposição realizadano Rio de Janeiro, em 1945.

Tempos depois, Vitalino fez uma doação de 250 peças ao Museu de Arte Popular de Caruaru, atendendo solicitação da prefeitura da cidade. Porém, morreu pobre, esquecido e sem auxílio do Estado, vítima de varíola, no dia 20 de janeiro de 1963.

Entretanto, não há como esquecer que Vitalino foi, e continua sendo, um dos maiores artistas populares que se utilizou do barro e argila para expressar a arte e os costumes de seu povo.

           MUSEU DO MESTRE VITALINO

Hoje, a casa onde residiu, foi transformada  no MUSEU DO MESTRE VITALINO, onde se encontram expostas as ferramentas usadas pelo grande artísta e algumas  de suas obra conhecidas.

Um projeto social, como homenagem ao artista Mestre Vitalino, foi criado com o nome  de        “A Magia do Barro, tendo como objetivo principal o desenvolvimento e aprimoramento do trabalho de artistas nordestinos que usam o barro como matéria prima para as suas obras.

 

 

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JULHO _ 2011

 

 

O NASCIMENTO DA ARTE

 

Ainda que estudiosos afirmem que a Arte tenha surgido no período Paleolítico Superior, vindo a se desenvolver no período Aurignaciano e chegado ao auge no período Magdaleniano, prefiro dizer que a Arte nasceu no momento exato em que o homem aprendeu a PERCEBER...

Com toda a certeza, a Arte está intimamente ligada à Percepção Humana... É bom lembrar que a percepção não é simplesmente uma sensação sentida pelo indivíduo.... ela exige a absorção mentalmente daquilo que é observado.

Até então, o homem era dotado unicamente de uma condição inata - semelhante aos demais animais - e só conseguia  visualizar as coisas de um modo natural... e dessa maneira, apenas as via como condições exclusivas para a sua sobrevivência orgânica... Por isso, ao ver um animal, por mais gigantesco que fosse,  o enxergava, unicamente, como alimento... uma gruta, por menor que pudesse ser, só era vista como um lugar qualquer para entrar...

Porém, a partir do instante em que o homem conseguiu absorver e transformar as informações (a respeito de cada coisa que conhecia) em percepção, passou a reconhecer os valores intrínsecos existentes em cada uma delas e, dessa forma, pode conceber tudo com mais sutilezas. Além disso, a partir do momento da identificação da essência de cada coisa, passou também a criar idéias, mentalizar e memorizar formas físicas baseadas nas suas observações, promovendo, inclusive, associações das configurações com as possíveis maneiras de utilizá-las...Sem dúvidas,  conseguiu até estabelecer prioridades de seus usos, quando utilizá-las e  evitá-las, ao ser preciso.

Ao mesmo tempo, começou a externar as suas idéias e percepções... e assim, surgiu a Arte. 

 

Primeiro, apareceram as inscrições nas pedras, depois as figuras planas, posteriormente, as modelagens e, por fim, as esculturas.

Contudo, sempre baseadas nas formas físicas que criava mentalmente em razão das observações. E, então, passou a gravá-las, desenhá-las e pintá-las na paredes das cavernas e colocá-las nos lugares em que habitava.

Mesmo não podendo afirmar que tais inscrições, desenhos, esculturas, e modelagens, tivessem um sentido único de Arte, acredito que o homem, tenha começado a ter prazer no que fazia e a emoção sentida,  com certeza, deve ter promovido um outro valor às suas elaborações.

Também, me parece que os desenhos primitivos tenham sido criados, com duas outras finalidades:

Uma, como forma de transmitir determinada mensagem (aviso, cuidado) que desejasse comunicar aos demais componentes do grupo humano, a que pertencia;

 

A outra, de promover determinados ensinamentos, buscando uma maneira com os seus semelhantesde compartilhassem as novas experiências e vivências .

 

Tal conjectura leva a inferir que a Arte pode ter surgido como uma forma de comunicação... ou a própria necessidade de se comunicar tenha levado o homem a fazer a Arte, como um meio de transmitir as suas mensagens.

Observando-se as figuras rupestres (configurações mais antigas que se conhece), verifica-se nas inscrições, nos desenhos ou nas pinturas que as gravuras são sempre relacionadas à vivência humana... Não posso crer que tais trabalhos tenham sido efetuados exclusivamente com o objetivo de decorar o ambiente onde se encontram inscritos, desenhados ou pintados... Sem dúvida, tais representações buscaram passar ideias, pensamentos, percepções... Não tenho dívidas que tais configurações quisessem promover indicações de decisões a serem tomadas, ou alertar perigos para a serem evitados.

Atentando-se para as maneiras como as figuras eram elaboradas, consegue-se ver nitidamente o desenvolvimento da percepção humana. As primeiras figuras foram executadas por meio de inscrições nas pedras, o que indica que o homem usava artefatos cortantes ou perfurantes, para fazê-las... por já lhe serem familiar, em razão de os usarem no corte da caça.

À medida que ampliava as percepções, novas descobertas foram aparecendo para tornar as estamparias das idéias, mais atraentes e mais perceptíveis... e, consequentemente, os instrumentos mais grosseiros eram deixados de lado com a adoção de utensílios mais hábeis e mais complexos, mudando inclusive a maneira de utilização, que exigia mais criatividade. E assim, é que os corantes, buchas e pincéis foram criados. 

O sangue dos animais deve ter sido o primeiro corante usado. Como a caça era a maior fonte alimentar, o homem deve ter percebido que poderia usar o sangue, dela tirado, como pigmento para colorir as figuras que gravava nas pedras.

Também, o excremento de morcego, foi aproveitado, quiçá até para substituir o sangue, uma vez que era abundante nas cavernas. No entanto, o homem associando suas configurações à natureza, sentiu a necessidade de procurar novos pigmentos com novas colorações. Por isso, passou a extrair resinas de plantas e do próprio solo.

A percepção do homem, cada vez mais se desenvolvia, obrigando-o a extrapolar à elaboração de figuras planas e buscar o tri dimensionamento de suas ideias... E aí, então, surgiram as modelagens e as esculturas em argila, em pedras, em ossos, em marfins.

 

E a Arte foi se transformando em uma variedade imensa de formas, de dimensões e de percepções...

 

...E assim, nasceu a ARTE... EXPRESSÃO DA PERCEÇÃO DO HOMEM.

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JUNHO - 2011

 

A ARTE JAMAIS DEIXA DE SER ARTE,

 

A ARTE jamais deixa de ser ARTE, independente de quem a desenvolve, de como é ideada, de como é elaborada, de onde é originada, de onde é expandida, de quando é executada, do que busca transmitir, da maneira que é entendida, do valor que lhe é atribuído, do quanto é criticada, do quanto é censurada, da forma que é admirada, do quanto é desejada... porque a ARTE floresce, nasce, cresce e se perpetua de dentro do próprio eu. 

Talvez eu devesse ir um pouquinho mais além, para melhor me fazer entender e comprovar o que estou dizendo... Contudo, creio não ser necessário enunciar nenhum tratado a respeito, buscando apresentar exuberantes justificativas ou oferecer explicações convincentes, basta apenas  que eu diga: SINTA... somente SINTA... pois, a ARTE irá, por si só, gerar um sentimento tão intenso, tão grandioso, que há de deixar a alma inebriada com a sua sensibilidade.

No entanto, mesmo acreditando ser dispensável dizer mais alguma coisa, o meu íntimo leva-me a revelar que existe um lugar de onde a ARTE surge com imaginável esplendor... muitas vezes até começando do nada, porém, com tanta veemência, com tanta energia que é capaz de promover o milagre da RESSURREIÇÃO... ou do milagre da SUPERAÇÃO... ou, melhor dizendo, o milagre de uma NOVA VIDA...

Mesmo não tendo permissão de seus integrantes,  ouso em convidá-lo QUERIDO AMIGO VISITANTE a conhecer esse local em que a ARTE se transmuta no MILAGRE DA VIDA... 

Embora que jamais tenha tido a oportunidade de estar presente pessoalmente. eu o venero e reverencio todos os seus feitos...  Trata-se da...

ASSOCIAÇÂO DOS PINTORES COM A BOCA E OS PÉS.

                                         

                                

 

                                Logomarca da APBP

 

Em verdade, eu nem sei onde fica a sua sede, mas, todas as vezes que entro na internet, busco um tempinho para acessar www.apbp.com.br e me embriagar de esperança, sabendo um pouco mais a respeito dos artistas, de suas obras e da venerável entidade.

Segundo a própria Agremiação, Pintores com a Boca e os Pés não é uma associação beneficente, mas sim uma sociedade de membros importantes. Todos os seus integrantes aprenderam a desenhar e pintar sustentando o pincel com a boca ou com os dedos dos pés, por terem perdido o uso das mãos.
A constituição da sociedade, no ano de 1956, deu oportunidade a todos os seus membros de se manterem com a venda de pinturas em forma de cartões, calendários e outros artigos. Nossa principal preocupação é incentivar pessoas com essas deficiências, proporcionando-lhes uma bolsa de estudos até o seu aperfeiçoamento na pintura.

 

   

Os quadros dos Pintores com a Boca e os Pés estiveram expostos no Brasil e por todo mundo.

A Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, fundada em 1956 por Erich Stegmann, tem providenciado, por mais de 50 anos, uma vida independente para artistas que não têm o uso de suas mãos.

Todos os membros dessa sociedade internacional são incapacitados de pintar usando suas mãos, e todos são beneficiados com a satisfação em poder ganhar seu próprio sustento, independente de caridade. Uma vez que se tornam "membros" (sócios), seu trabalho deve ser de um padrão que possa competir em estética e base comercial com os trabalhos de artistas convencionais. Uma vez aceitos como membros, é garantida a eles uma renda substancial por toda a vida, mesmo se forem incapacitados de continuar a pintar. Isso é providenciado através da renda derivada da venda de seus trabalhos como: cartões, calendários e outros.

INDEPENDÊNCIA, AMOR E ARTE

Os artistas associados recusam caridade, preferindo reter seu respeito próprio competindo em termos iguais com artistas "normais"; eles fazem de tudo para assegurar que sua Associação seja entendida como um trabalho, um negócio, e que não seja confundida com entidades filantrópicas, colorindo assim a apreciação pela sua arte por sentimento.

 

 

A renda das vendas também provê bolsas para pintores com a boca ou com os pés, que primeiramente não podem atingir os padrões exigidos de um " membro", assim suas habilidades podem ser desenvolvidas e encorajadas. Além disso, subvenções são feitas para equipamentos especiais e tratamento em algumas circunstâncias.

Mais de 500 Membros em Mais de 70 países

A Associação conta com mais de 770 artistas, em mais de 70 países, e não faz distinção alguma entre nacionalidade, raça e crença. HÁ 46 PINTORES NO BRASIL, e a Associação procura ativamente por novos estudantes e membros

Essa cooperativa mundial única é gerenciada e administrada sob o controle e supervisão de seus membros, todos artistas sem o uso de suas mãos.

O sucesso das vendas de seus produtos num mercado altamente competitivo, ajuda a assegurar aos artistas um estilo de vida independente que realça a atividade do seu trabalho criativo, livre de preocupação financeira. Para esse fim, os artistas possuem sua própria empresa de edição, ou indicam editores para produzir, distribuir e vender os produtos característicos de seu trabalho.”

Para ilustrar esse meu relato, tomei a liberdade de estampar as fotos de alguns QUADROS e de alguns ARTISTAS, exclusivamente para que sejam admirados, respeitados e reconhecidos AUTORES e REALIZAÇÕES... E termino, dizendo novamente SINTA... SINTA a ARTE por intermédio da Associação de Pintores com a Boca e os Pés, pelos seus  Integrantes e por suas inigualáveis obras..

 

 

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    MAIO - 2011 

 

ASSASSINARTE

 

 

Embora não seja o enfoque principal, mas, por fazer parte do tema dessa narrativa, creio ser importante dizer que depois de muita luta, finalmente, a Polícia Militar do Distrito Federal instalara-se na Capital da República, no ano de 1966.

Faz-se ainda necessário esclarecer que a Corporação, por ocasião da transferência da Capital Brasileira para o Planalto Central, permanecera no Rio de Janeiro enquanto todos os seus integrantes foram transferidos – à revelia – para o estado da Guanabara. Entretanto, alguns de seus Oficiais, idealistas e leais às convicções profissionais, tentaram - a qualquer custo - levá-la para Brasília, onde era (por critérios históricos e morais) o seu lugar... Porém, não lograram êxito em suas tentativas.

Contudo, em 1964, os componentes da PMDF conseguiram o direito legal de volver à condição de Funcionários Públicos Federais - que anteriormente possuíam -, mediante requerimento ao Ministro da Justiça, ainda que a Corporação não houvesse sido reestruturada na nova capital

Sem dúvida, quase todo o contingente se valeu dessa prerrogativa e isso, praticamente, obrigou a uma reorganização da Corporação no novo Distrito Federal.

E, assim sendo, alguns Oficiais (entre eles eu) foram transferidos para a Nova Capital, em 1965, em virtude de recompor a PMDF, de forma que o primeiro núcleo se instalasse em Brasília, o mais breve possível.

Então, no início de 1966, por ocasião do carnaval, o brasiliense pode apreciar e admirar a maneira cortês com que o Policial Militar iria prover a segurança do “povo candango”, no Planalto Central.

Na ocasião, o Capitão PM, que conduzira a Tropa ao novo destino, comentou que deveria ser efetuado alguma coisa em razão do valor histórico do acontecimento e propôs, então, a confecção de uma medalha comemorativa à instalação da Corporação na Nova Capital, o que foi de imediato acordado por todos os presentes e levada, como sugestão, ao Comando Geral da Corporação.

Como eu estudara desenho e conhecia bem museulogia e heráldica, assumi a incumbência de conceber a tal comenda... A História da Corporação me era totalmente familiar, por isso, não levei muito tempo para esboçar alguns rascunhos, os quais foram apresentados ao Tenente Coronel do Exército - comandante da PM - que escolheu um deles, como modelo a ser desenvolvido.

No próprio quartel - carinhosamente chamado de “Forte Apache”, devido à série cinematográfica Rin-tin-tin, transmitida pela TV e, também, por ser uma instalação provisória - comecei a desenvolver, em crayon, o modelo da medalha.

Naturalmente, imaginara que a Corporação tinha que ser ressaltada e, dessa forma, desenhei no anverso, o atual distintivo da PMDF - que eu havia criado, quase um ano antes, ao chegar à nova capital, destacando simbolicamente as épocas da criação (Espera armilar de D. Manoel I) e de sua instalação na nova capital (Colunata da Palácio Alvorada).

 

Distintivo da PMDF

 

Complementando a face principal da medalha e, ao mesmo tempo, explicitando a razão da comenda, dispus a inscrição INSTALAÇÃO DA POLÌCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL EM BRASÍLIA - acompanhando o contorno da medalha - ladeada pelas datas 1809 e 1966, indicativas da criação da Corporação e de sua chegada à Brasília. separadas por uma estrela de cinco pontas.

No reverso - dividindo a medalha verticalmente ao centro - desenhei um gládio e, logo acima da cruzeta, sobrepus o capacete Policial Militar, de forma a simbolizar a Corporação como Guardiã inusitada da Nova Capital. Florescendo da cruzeta, tracei um ramo de folhas e frutos de louros, em esplendor ascendente, acompanhando à curvatura da medalha, para lembrar as glórias e méritos conquistados pela PMDF em todo o seu passado. E em destaque, no primeiro quartel da contra-face, coloquei a divisa latina IDEALE ET IURE (pelo ideal e pelo direito) em duas linhas, para ressaltar as razões que conduziram a PMDF à Nova Capital. 

 

 

          Reverso da Medalha

 

O desenho estava quase concluído quando, em determinado momento, minha tarefa foi interrompida por um outro Oficial (que me permito omitir o nome) - aproveitado nos Quadros da Corporação, como outros, devido a ser oriundo do Serviço de Policiamento Ostensivo – SPO, organização policial existente em Brasília, antes da chegada da PMDF - que abordando sobre o gládio, o capacete e o ramo de louros curvo, interrogou-me “se era uma foice e um martelo”, o que eu estava desenhando.

Em princípio, pensei ser uma brincadeira... e, sem dúvida, de muito mau gosto, principalmente por termos pouco tempo de convívio... Mas. ainda assim, respondi-lhe que estava vendo chifres em cabeça de cavalo... E acreditando ter o episódio terminado por ali, dei continuidade ao que fazia, dizendo-lhe que se retirasse.

Desenho pronto... e entregue ao Tenente Coronel Comandante, seguiu os trâmites legais com as devidas justificativas e explicitações, para a aprovação pela autoridade competente, publicação no Diário Oficial da União e posterior cunhagem da medalha, na Casa da Moeda no Rio de Janeiro.

Algum tempo depois, já publicado o Decreto de Criação da Medalha foi-me apresentada uma prova amoedada em chumbo... Mesmo executado em metal sem valor pecuniário, o trabalho havia correspondido à minha expectativa... ficara lindo... a obra de arte estava, efetivamente, consolidada.

 

Em mais alguns meses - a PMDF já com novo comandante - as medalhas, confeccionadas em ouro, prata e bronze, iriam ser outorgadas, de acordo com o mérito, aos integrantes da PM, autoridades e outros agraciados, numa solenidade específica no dia 13 de maio de 1967, aniversário da Corporação.

Imaginava que tudo estivesse preparado, pois havia chegado de Belo Horizonte, por estar cursando o CAO - Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais - na Polícia Militar de Minas Gerais... Encontrava-me ansioso para receber a condecoração... modéstia à parte, era minha criação.

Entretanto, a cerimônia fora cancelada... Com muito espanto, soube que as medalhas foram retiradas da cunhagem e o Decreto de Criação iria ser republicado... A pergunta que o tal Oficial me fizera, enquanto a desenhava, deixara de ser apenas uma indagação maldosa para se transformar em denúncia feita ao SNI - Serviço Nacional de Informações - que mandou sustar a confecção do modelo apresentado... “Na medalha estava exposto, de forma estilizada, um símbolo comunista – uma foice e um martelo”... E essa inconsistente interpretação acabou por provocar vários efeitos perniciosos...

 

Imediatamente, foi determinado que o reverso fosse redesenhado... Com certeza, não pensaram em me pedir que o fizesse... não tinham dúvidas de que eu jamais me sujeitaria a tal descalabro... E o reverso foi redesenhado, embora continuasse a estampar a divisa que eu ideara... Não sei por que, não “acharam” que o lema quisesse dizer “pelo ideal e pelo direito de ser comunista”...

 

Fotocópia do DOU que publicou o Decreto (original) da Criação da Medalha,             com os desenhos do anverso, do reverso e do barrete.

Não era mais a minha medalha... A contra face, agora, apresentava características simplórias, sem exprimir qualquer demonstração representativa pertinente à instalação da PM no novo Distrito Federal... o simbolismo dera lugar a uma configuração paupérrima e inexpressiva. Quem a executou, creio eu, apenas deve ter cumprido uma ordem e sequer saberia idear uma representação significativa.

E, sem receber a medalha, tive que retornar a Belo Horizonte para continuar o Curso. Todavia, pouco antes da partida fui cientificado de outro efeito da denúncia... eu estava respondendo a uma Sindicância, por ter desenhado “uma foice e um martelo” na comenda e, sendo assim, deveria ser verificado qual a minha relação com o partido comunista.

Fiquei pasmo... embora não imaginasse que ainda existiriam outros descalabros... semanas mais tarde, durante a minha ausência de Brasília, a casa que eu residia com a família, na cidade satélite de Taguatinga, foi arrombada, vasculhada e profanada... Graças ao Grande Arquiteto do Universo, minha mulher e meus filhos estavam alojados no anexo do Brasília Imperial Hotel e sequer  tomaram conhecimento do ocorrido, mas, muitos dos meus desenhos e outros ensaios artísticos foram queimados, rasgados e destroçados... quiçá, no afã de "acharem" os rascunhos - onde estava posto o sinal do antigo Comandante indicando o modelo da medalha a ser desenvolvido – que se encontravam comigo em Minas Gerais. 

Contudo, posso afiançar, com toda a nobreza de minha consciência, que tais vilipêndios não foram tão infames, nem tão inescrupulosos, quanto ver a ARTE, pela qual busquei traduzir a beleza de um ideal... a ARTE, pela qual procurei revelar o amor dedicado à Corporação... a ARTE, pela qual divulguei o ardor da lealdade profissional...

VIOLENTADA... DETURPADA... ESCARNECIDA...

Um interesse escuso, mesquinho e maldoso, totalmente desprovido de SENSIBILIDADE, havia tentado ASSASSINAR a ARTE...

... No entanto, a ignomínia não sabia que a ARTE não morre... a ARTE é IMORTAL.

 

 

 

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ABRIL - 2011

 

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A GENTE "PINTA E BORDA"

  

Aqui em casa – com toda sinceridade - eu e minha mulher “PINTAMOS E BORDAMOS”...

É bem verdade que a expressão “pinta e borda” tem o significado de agir sem limites, de se comportar sem levar em consideração os conceitos sociais ou de promover extravagâncias diante de quaisquer circunstâncias ou situações.

Pode-se dizer que tem a mesma semântica de “botar pra quebrar”, de “pintar o caneco”, de “pintar o sete” e de “fazer miséria”... expressões consagradas pelo dito popular como a forma de agir fora dos padrões estabelecidos.

Naturalmente, que não é o nosso caso, embora, não possamos esconder que sempre fizemos tudo isso - no bom sentido, é claro...  pois, de maneira comedida e consciente, quando jovens, participamos ativamente de várias gincanas automobilísticas – sendo, inclusive, premiados - e, assiduamente, frequentávamos a inúmeros bailes – até hoje, a cada oportunidade que surge, aproveitamos para mostrar os nossos dotes de dançarinos.

E, quanto a PINTAR E BORDAR, também não podemos omitir que, é o nosso ponto forte, isto é... LITERALMENTE.

Com certeza todos conhecem e já devem ter visto bordados em PONTO DE CRUZ.

Não é nenhuma novidade dizer que são trabalhos por demais delicados... minuciosamente elaborados... tão suaves e tão tenros que qualquer indivíduo - por mais leigo que seja - ao admirá-los, constata que só as pessoas que possuem uma habilidade artística muito aprimorada são capazes de executá-los...

 

... E minha mulher é uma dessas pessoas virtuosas... uma artista perfeita na Arte de bordar em Ponto de Cruz... na Arte de promover o cruzamento de linhas coloridas nas minúsculas quadrículas dos tecidos e transformar tudo numa peça divinamente concebida.

Tal habilidade foi herdada de sua mãe, Dona Marita, outra grande artista que lhe passou detalhadamente os segredos da magia de bordar... de como transformar aqueles pontinhos minúsculos em imagens graciosas de uma beleza sem par.

Com uma paciência inesgotável, minha mulher se dedica a realizar os seus bordados, de forma impressionante... muitas vezes, chega a permanecer até altas horas, sob a luz de uma luminária, para dar enlevo aos afazeres... A noite, pouco a pouco, vai adormecendo... mas ela, lá está desperta, a manusear a agulha, tal qual uma varinha mágica, de forma a transformar cada ponto em doce pincelada, produzindo uma tela original...

Posso afirmar que o esmero com que escolhe os matizes das linhas é realmente divino... e. a suavidade com que os aplica, em seus trabalhos, consegue transmutá-los em relíquias inigualáveis..

Os motivos bordados variam de acordo com a utilidade de cada peça... Flores; utensílios do uso doméstico; frutas; personagens; animais; e lindas paisagens... Porém, por mais que apresentem particularidades, todas se transformam em OBRAS MARAVILHOSAS.

Não preciso dizer mais nada... a minha mulher, efetivamente, BORDA.

Então, para confirmar que juntos, nós dois pintamos e bordamos, só me resta dizer que eu PINTO... no entanto, é muito difícil falar de mim... chega até ser meio constrangedor.

Dizem certos entendidos, em comportamento humano, que ao promover comentários a respeito de si próprio ou do que faz, o “indivíduo sempre diminui os seus predicados e aumenta os seus defeitos”... entretanto, outros doutos, com idêntico conhecimento, já afirmam o contrário... “o sujeito esconde os seus pecados e enaltece os seus milagres”.

...Sem mais delongas, o melhor mesmo é mostrar que eu PINTO... E aí está...

Todavia, parece-me também apropriado esclarecer que abracei a Arte Plástica - desde bem pequeno, quando criança -  por ter recebido um dos mais lindos Legados... É que eu tive a felicidade de ter um grande mestre da pintura na minha própria casa - o meu pai, João Nogueira Filho - que, carinhosamente, colocou os seus dedos mágicos sobre os meus dedinhos... e me ensinou a segurar um pincel... transmitindo-me tudo o que seria preciso para que eu pudesse expressar na tela, as minhas EMOÇÕES... E eu comecei a PINTAR.

Assim sendo, está mais que comprovado que eu e minha mulher, de fato, "PINTAMOS e BORDAMOS".

 

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MARÇO - 2011

 

 

A ARTE

 

Emitir um conceito sobre alguma coisa, sem dúvida alguma, não me parece ser tarefa lá muito fácil... Além, do conhecimento sobre a coisa que se vai conceituar, dos aspectos que a envolvem, das suas características, outros fatores poderão influenciar, de tal modo, que o enunciado poderá não traduzir – com presteza – o que evidentemente ela é.

Porém, quando se trata de ARTE, não me parece difícil... Com certeza, não é realmente difícil...

Quando era bem pequeno, tive o primeiro contato com a Arte por intermédio de minha mãe sussurrando, em meus ouvidos, as mais lindas canções para me acalentar.

Outrossim, continuei a admirar a ARTE observando os quadros deslumbrantes, que meu pai pintava,... Embora fosse ele um pintor de paredes, era também um autodidata fabuloso que sabia - como ninguém -  manusear os matizes das tintas, a palheta e os pincéis.

Cultuei a Arte, mais ainda, através dos acordes do piano e dos arpejos do violino, que meus irmãos, entoavam todas as tardes, realizando um verdadeiro sarau de fraternidade.

E, então, eu bem facilmente podia conceber a Arte como a Minha Família.

Já um pouco mais tarde, estudante do ensino primário, recebendo ensinamentos sobre Arte, de uma mestra  extremamente dedicada, eu ouvi um enunciado muito profundo que guardei, meio confuso, na minha cabecinha de criança: “Arte é a expressão do belo”...                         O entendimento de belo, próprio da meninice dos meus sete anos, levou-me a interpretar a Arte como sendo tudo que era bonito, tudo aquilo que agradasse... E como minha mãe dizia que meus desenhos eram lindos, sempre acrescentando: ”tomara um cego vê-los”,  eu passei a entender a Arte, mesmo que de uma forma egoísta e, ao mesmo tempo, egocêntrica, como Coisa Bonita... Principalmente a que era feita por mim.

O  tempo passou e eu, adolescente - mais curioso que pesquisador -, mesmo asssim, pude entender melhor o conceito que havia aprendido sobre Arte. As variações das interpretações individuais mostraram–me que o belo, tanto poderia ser lindo como horrível, porém a Arte era permanente. E no canto orfeônico, eu pude perceber a Arte nas vozes de todos os meus companheiros, ainda que alguns fossem por demais desafinados, como eu. E assim, passei a entender a Arte como um Um Conjunto em Harmonia.

Adulto, frequentando a Escola Nacional de Belas Artes, obtendo informações e conhecimentos especializados e mais precisos, aprendi entre contrastes - diante de trabalhos horripilantes, de produtos sedutores, de ensaios lindíssimos e matérias inexpressivas - que o sentimento é a razão da própria obra, seja ele qual for, estabelecendo que ela se faz presente sempre, sem depender dos resultados expressos, das condições e das circunstâncias existentes... E aí, eu pude ver a Arte  como a Manifestação do Eu Interior.

Contudo, no estudo da História da Arte, detectei uma variação imensa de definições sobre a Arte. Atentando para os episódios que envolviam os maiores mestres da pintura, os exímios escultores, os eminentes escritores e os músicos virtuosos,  eu me deparei com a Arte,  ora conceituada como Verdade; ora, como Mentira; ora, como Vaidade; e, por incrível que possa parecer, até como Divindade... No entanto, a conceituação que mais me calou na alma, foi a da Arte como Dor... muitas e muitas vezes, percebi  que ela se dispunha a reflitir em agressões... muitas e muitas vezes, pude compreender que ela traduzia o desrespeito, devido as destruições das próprias obras, brutalmente queimadas em fogueiras, como se fossem gravetos; largadas ao léu, como se fossem lixo; enterradas no esquecimento, com se estivessem mortas... e tudo isso, em razão da imposição tirânica de governos, da inquisição repulsiva de religiões e da manipulação impiedosa do poderio econômico.

Agora, no auge da minha velhice... depois de experimentar todas as emoções... de saborear o néctar entorpecente das paixões... de sentir as alucinações das vitórias... de sofrer as agruras das derrotas... Agora, que busco fazer da Arte a essência da minha existência, posso confirmar, com toda a certeza,  que conceituar a Arte, não é difícil...não é difícil mesmo... 

...É, simplesmente, impossível... pois a Arte é a Vida.